Durante cúpula internacional de prefeitos em Paris nesta segunda-feira (23), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), saiu em defesa da realização da COP30 em Belém (PA), marcada para novembro, e aproveitou para reforçar o papel de destaque da capital fluminense no cenário climático global. A reportagem é da Folha de S.Paulo.
Além de rebater críticas à capacidade de infraestrutura de Belém e acusar parte da opinião pública brasileira de adotar uma postura de “negativismo”, Paes anunciou que o Rio será palco de uma importante reunião preparatória da C40 Cities, grupo internacional de grandes cidades comprometidas com a agenda ambiental. O encontro ocorrerá dias antes da COP30 e reunirá líderes municipais e regionais de todo o mundo.
“Belém vai receber superbem”, disse Paes à Folha, ao minimizar os desafios logísticos enfrentados pela cidade para abrigar os cerca de 50 mil participantes esperados para a conferência. “É óbvio, é um evento muito grande, e você vai ter sempre algumas questões de hospedagem, de infraestrutura. Mas o governo do Pará está resolvendo, a prefeitura de Belém está resolvendo.”
Nos bastidores da preparação, foram levantadas preocupações internacionais quanto à capacidade hoteleira da capital paraense, sobretudo após denúncias de preços abusivos. Questionamentos foram feitos formalmente na reunião preparatória da COP30 realizada em Bonn, na Alemanha, na semana anterior. Mesmo assim, Paes reforçou seu otimismo e disse reconhecer a importância simbólica da escolha de Belém: “Foi uma decisão acertada do presidente Lula, de levar para uma cidade na Amazônia para discutir a Amazônia. Até para a turma de fora, os gringos verem que nós não estamos falando só de floresta e bicho. Tem cidades grandes, gente que precisa viver ali.”
Em seu discurso na cúpula, o prefeito carioca também destacou a “ótima relação de trabalho” com o presidente Lula por meio do que chamou de “federalismo ambiental” — um modelo que prevê a inclusão ativa de estados e municípios na definição e execução das NDCs (contribuições nacionalmente determinadas), as metas climáticas assumidas por cada país no Acordo de Paris.
A cidade do Rio, que integra o C40 desde sua criação e já presidiu o grupo em 2013, volta a ganhar protagonismo ao receber o encontro internacional da entidade em novembro. O C40 é atualmente presidido por Sadiq Khan, prefeito de Londres, e copresidido por Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. Eduardo Paes é um dos membros mais antigos da rede e, como anfitrião, deve concentrar no Rio as atenções de dezenas de prefeitos, governadores e empresários que atuam na agenda climática urbana global.
Segundo Paes, a reunião da C40 será uma oportunidade para alinhar compromissos e ações locais antes da COP30. “É uma iniciativa que mostra que as cidades estão se organizando e assumindo um papel protagonista no combate à crise climática. O Rio está na linha de frente desse movimento”, afirmou.
Na cúpula de Paris, Paes foi convidado de honra da prefeita local, Anne Hidalgo, sua amiga de longa data. Ambos participaram da negociação do Acordo de Paris em 2015, quando também já estavam à frente das administrações municipais. Em tom bem-humorado, o prefeito carioca comentou: “É um combate que estamos há muito tempo travando, ambos prefeitos longevos. Igual àquele filme que ganhou o Oscar: ainda estou aqui.”
Eduardo Paes embarcou para Londres na noite desta segunda-feira, onde cumpre agenda oficial até quarta-feira (25), com foco em temas relacionados ao clima e ao desenvolvimento sustentável. O retorno ao Brasil está previsto para quinta-feira (26).





