Em entrevista às paginas amarelas de Veja nesta semana, o ex-prefeito Eduardo Paes afirma ter alertado sobre a proximidade entre Wilson Witzel e Mário Peixoto. “Era uma coisa escancarada”, disse. Candidado do DEM às próximas eleições municipais, Paes dispara ainda críticas a Marcelo Crivella e Jair Bolsonaro.
Leia alguns trechos da entrevista:
Velhos nomes da rede de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral voltaram a aparecer em investigações que envolvem a área da saúde do atual governo, de Wilson Witzel. Episódios como esse eram pedra cantada?
- Eu mesmo, na eleição de 2018, alertei muitas vezes sobre a proximidade de um dos maiores prestadores de serviço do governo do estado, no caso o empresário Mário Peixoto, com o candidato Witzel. Ele e Lucas Tristão (secretário de Desenvolvimento Econômico), quando eram sócios em um escritório de advocacia, cuidaram de assuntos de Peixoto e tiveram uma procuração para representar os interesses dele no Estado do Rio. Era uma coisa escancarada.
Seu partido, o DEM, ganhou uma secretaria no governo Witzel. Agiu errado?
- O DEM entrou no governo contra a minha opinião. Quem perde eleição não deve assumir secretarias.
Witzel diz que as denúncias contra ele são fruto de perseguição do presidente Jair Bolsonaro. Ele errou ao romper com o candidato que apoiou em 2018?
- O Witzel se elegeu governador naquela época por causa do “Bolsowitzel”. O erro dele foi querer fazer campanha para 2022 antes da hora, o que gerou conflito. Só que o Estado do Rio precisa do presidente. Crivella também apoiou Witzel no segundo turno, e os dois estão rompidos. Por que não trabalham em conjunto? Os governos não conversam entre si. É uma brigalhada assustadora.
O senhor é, afinal, candidato a prefeito do Rio de Janeiro?
- Sou. Poucas vezes vimos uma administração tão sem rumo, tão sem capacidade de realizar, quanto esta de hoje. Decidi pôr meu nome porque é uma urgência. Não dá mais para improvisar, experimentar.
Já costurou alguma aliança?
- Com o Avante e a Democracia Cristã. Converso com PSDB, Cidadania, PV, mas não estou angustiado por fazer uma salada partidária. Acho viável agregar as candidaturas de centro, que jogam à esquerda e à direita. Houve uma mudança com a decisão do (deputado federal do PSOL) Marcelo Freixo de não mais se candidatar. Eu temia a repetição, no segundo turno deste ano, da disputa de 2016, entre Crivella e Freixo, porque via aí uma probabilidade grande de Crivella ser reeleito — o pior que poderia acontecer. Mas a saída do Freixo muda o quadro, e minha candidatura sai com um patamar elevado. Quero juntar os melhores quadros da vida pública e do setor privado para reerguer o Rio.






Deixe um comentário