Cientistas do laboratório europeu de física de partículas (CERN), na Suíça, conseguiram realizar um feito que por séculos pertenceu ao campo da alquimia: transformar chumbo em ouro. A informação foi publicada pelo portal g1 nesta segunda-feira (12). A conversão foi possível graças a um experimento de altíssima precisão conduzido em um acelerador de partículas, no qual núcleos de chumbo foram colididos a velocidades próximas à da luz.
A pesquisa, realizada entre 2015 e 2018, produziu 86 bilhões de núcleos de ouro — resultado da remoção de três prótons dos núcleos de chumbo, que possuem 82 prótons. Com 79 prótons remanescentes, os átomos se tornaram ouro, elemento que tem esse número exato em sua estrutura atômica. No entanto, a façanha durou apenas cerca de um microssegundo. Após esse intervalo extremamente breve, os átomos colidiam com os equipamentos ou se fragmentavam, deixando de existir como ouro.
O processo só foi possível porque os cientistas direcionaram feixes de núcleos de chumbo uns contra os outros dentro do Grande Colisor de Hádrons (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo. A energia das colisões permitiu a expulsão de prótons dos núcleos, alterando sua identidade atômica. Essa mudança direta no núcleo é algo que só pode ser obtido em condições extremas de energia, como as promovidas no CERN.
Apesar do sucesso experimental, os cientistas destacam que a transformação não tem aplicação econômica viável. A quantidade de ouro criada — 29 trilionésimos de grama — é infinitesimal e instável. Além disso, os custos envolvidos são altíssimos. Ainda assim, o experimento marca um avanço notável na compreensão da física nuclear e da estrutura dos átomos.
A experiência remonta a uma ambição ancestral: durante séculos, alquimistas tentaram, sem sucesso, transmutar metais comuns em ouro. O CERN, com sua tecnologia de ponta e experimentos controlados, demonstrou que a transmutação é cientificamente possível, ainda que altamente limitada e efêmera.
Esse feito reforça a importância dos aceleradores de partículas na exploração das fronteiras da matéria e da energia, ajudando a responder questões fundamentais da ciência contemporânea.





