Operadoras de telefonia são investigadas por não denunciar ataques de software espião da Abin

O software FirstMile é capaz de obter informações de georreferenciamento de celulares, mas não permite o acesso a conteúdos de ligação ou de trocas de mensagem

As operadoras de telefonia Claro, Tim e Vivo estão sob investigação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) por não terem informado o órgão sobre ataques ou tentativas de invasão por meio do software espião FirstMile, contratado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e por outros órgãos públicos. A comunicação em casos do tipo é obrigatória, segundo o regimento do setor.

Em nota enviada à Folha, a Anatel confirmou que as três operadoras não notificaram a agência sobre o uso do programa e que isso pode gerar punição administrativa. A agência disse ainda que identificou que as empresas tomaram medidas de proteção para evitar os acessos indevidos num passado recente e que abriu apurações internas para investigar se elas tinham conhecimento das vulnerabilidades sendo exploradas.

O software FirstMile é capaz de obter informações de georreferenciamento de celulares, mas não permite o acesso a conteúdos de ligação ou de trocas de mensagem. O programa está na mira da Polícia Federal, que investiga a produção de relatórios de inteligência sobre adversários políticos da família Bolsonaro por parte da chamada “Abin Paralela” do governo Bolsonaro na gestão de Alexandre Ramagem, hoje deputado federal pelo PL.

Segundo os investigadores, oficiais da Abin e policiais federais lotados na agência monitoraram os passos de adversários políticos de Bolsonaro e produziram relatórios de informações “por meio de ações clandestinas” sem “qualquer controle judicial ou do Ministério Público”.

As três operadoras não se manifestaram sobre o caso.

Com informações da Folha de S.Paulo

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