A Polícia Civil de São Paulo prendeu 580 pessoas acusadas de crimes de violência doméstica e familiar contra mulheres durante a Operação Ano Novo, Vida Nova. A ação teve início na noite de segunda-feira (29) e seguiu até a manhã desta terça-feira (30), com cumprimento de mandados em todo o estado, segundo informações da Agência Brasil.
Segundo as autoridades, o número de presos foi aumentando ao logo do dia, já que as equipes continuaram em diligências e recebendo informações de diferentes regiões. Os alvos são investigados ou condenados por agressões praticadas contra mulheres no ambiente doméstico ou familiar.
Em coletiva de imprensa, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, destacou que a ofensiva é prioridade da atual gestão. “Estamos com 233 pessoas presas, mas esse número vai subir. Há viaturas chegando de todo o estado e novas informações sendo apuradas”, afirmou. A previsão se confirmou chegando aos 580 anunciados à noite.
Operação mobiliza 1,5 mil policiais em todo o estado
A operação conta com cerca de 1,5 mil policiais civis e o apoio de aproximadamente 450 viaturas. A ação é coordenada pela Secretaria da Segurança Pública em conjunto com a Secretaria de Políticas para a Mulher, reforçando a integração entre áreas estratégicas do governo estadual.
Para o secretário Osvaldo Nico Gonçalves, a atuação firme contra agressores é essencial para prevenir crimes mais graves. “Não vamos dar trégua. A defesa da mulher é prioridade absoluta”, ressaltou.
A secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, reforçou o impacto direto das prisões. “Um homem preso significa uma mulher salva, uma família salva”, declarou.
Polícia Civil já prendeu mais de 11 mil agressores em 2025
De acordo com dados da Polícia Civil, até outubro deste ano mais de 11 mil agressores de mulheres haviam sido presos em São Paulo. Com as operações realizadas em novembro e dezembro, a expectativa é que esse número chegue a cerca de 13 mil detenções.
A delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), explicou que retirar esses indivíduos de circulação é uma forma eficaz de prevenir crimes mais violentos. “Quando prendemos alguém por injúria, calúnia ou vias de fato, muitas vezes estamos impedindo um crime ainda mais grave”, afirmou.
Além das DDMs, a operação envolve todos os departamentos de Polícia Judiciária do Interior e as seccionais do Departamento de Polícia Judiciária da Capital, ampliando o alcance das ações.
Autoridades reforçam importância da denúncia
A Polícia Civil destaca que a colaboração das vítimas é fundamental para o enfrentamento da violência de gênero. Segundo Cristiane Braga, confiar nas instituições é um passo decisivo para interromper o ciclo de agressões.
“É essencial que as vítimas denunciem e confiem na polícia, na Secretaria de Segurança e no Judiciário. Assim, podemos agir com mais contundência e enfrentar a violência contra a mulher de forma eficaz”, disse a delegada.
O trabalho integrado busca não apenas prender agressores, mas também fortalecer a rede de proteção às mulheres em situação de risco.
O que é feminicídio e por que é crime hediondo
O feminicídio é caracterizado pelo homicídio de uma mulher em razão de seu gênero, geralmente associado à violência doméstica, ao menosprezo ou à discriminação contra a condição feminina. É considerado a forma mais extrema da violência de gênero.
No Brasil, o feminicídio é classificado como crime hediondo. Quando tipificado como qualificadora do homicídio, a pena prevista é de reclusão de 12 a 30 anos, refletindo a gravidade desse tipo de crime.
Especialistas apontam que, na maioria dos casos, o feminicídio é o desfecho de um histórico prolongado de agressões físicas, psicológicas ou morais.
Casos de feminicídio aumentam e geram alerta em São Paulo
A Operação Ano Novo, Vida Nova ocorre em um cenário de aumento dos casos de feminicídio na capital paulista. Em 2025, a cidade registrou o maior número de ocorrências desde o início da série histórica, em abril de 2015.
Um dos casos de maior repercussão foi o atropelamento de Tainara Souza Santos, no fim de novembro. Ela foi arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, sofreu graves mutilações e morreu no dia 24 de dezembro, aos 31 anos, deixando dois filhos.
O autor do crime, Douglas Alves da Silva, foi preso no dia seguinte após investigações da Polícia Civil. Segundo o delegado Fernando Barbosa Bossa, responsável pelo caso, a motivação foi a não aceitação do término do relacionamento, configurando tentativa de feminicídio com extrema crueldade.
Para as autoridades, operações como essa são fundamentais para reduzir a violência contra a mulher e evitar que histórias semelhantes se repitam.






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