Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), com apoio do Ministério Público, deflagraram nesta quinta-feira (22) uma operação contra uma organização criminosa que atua desde 2019 no Camelódromo da Uruguaiana, no Centro do Rio. Nove pessoas foram presas.



Entre os alvos estão um policial civil aposentado e um policial penal que colaboravam com as atividades ilícitas. Ao todo, 14 suspeitos foram denunciados.
Os agentes tentam cumprir 11 mandados de prisão e 9 de busca e apreensão. As investigações revelaram que o grupo praticava extorsões contra comerciantes do camelódromo, exigindo pagamentos sob o pretexto de serem ‘contribuições associativas’. Entres os presos estão:
Antenor Pereira de Jesus Filho, antigo dirigente da associação;
Carlos Alexandre Pereira, atual presidente da associação;
Ricardo da Silva Pereira, apontado como chefe do esquema;
Robson Gripp, suspeito de gerenciar as extorsões;
Paulo César da Silva Porto Júnior.
Também eram cobrados valores referentes ao consumo de energia elétrica e, caso as vítimas se recusassem a pagar, a energia era cortada e só religada mediante a um valor extra.
As cobranças eram acompanhadas de ameaças e intimidações, inclusive com o uso de armas de fogo. Comerciantes eram coagidos a pagar, caso contrário perderiam o ponto e a mercadoria, ou até seriam expulsos do local.
Além disso, o grupo fazia vendas irregulares de boxes, que são espaços públicos sob controle da Prefeitura do Rio. O valor da venda variava entre R$ 60 mil e R$ 80 mil, o que configura apropriação indevida de bem público, segundo a polícia.
“Estamos atacando também o braço financeiro desta organização criminosa, com pedido de bloqueio de bens e valores. Identificamos que somente um desses alvos tinha movimentado cerca de R$ 2 milhões”, disse o chefe da Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
Durante a operação, os agentes conseguiram informações de que o líder do grupo, Ricardo Pereira, estaria no estado do Ceará. Com o apoio da Polícia Civil daquele estado, ele foi preso em Fortaleza.
Os investigados também lavavam o dinheiro obtido com os crimes, transferindo valores para contas de laranjas e reinvestindo em novos boxes no próprio mercado.
Os mandados foram cumpridos na Uruguaiana e em endereços na Barra da Tijuca, Zona Oeste, e na Baixada Fluminense.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.






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