Operação contra atentado no show de Lady Gaga evitou “ataques terroristas” e “salvou centenas de vidas”, diz polícia

Polícia Civil prende líderes de grupo acusado de terrorismo e discurso de ódio contra público LGBTIA+; suspeito planejava ritual com morte de criança

A Polícia Civil do Rio de Janeiro afirmou neste domingo (5) que a operação que desarticulou uma ameaça de atentado a bomba durante o megashow de Lady Gaga em Copacabana, na noite de sábado (3), salvou centenas de vidas e impediu um ataque terrorista de grandes proporções. A investigação, segundo as autoridades, tinha como foco um grupo extremista que planejava ações violentas, com motivações de ódio, contra o público LGBTIA+.

— Sem criar qualquer tipo de pânico, qualquer tipo de alarde, prendemos os dois principais líderes dessa organização criminosa, esses terroristas. O título da investigação foi terrorismo. Então, é uma investigação justamente sobre ataques terroristas — afirmou o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.

Segundo os investigadores, além da ameaça à segurança pública no evento que reuniu mais de 2 milhões de pessoas na Praia de Copacabana, o grupo também propagava discursos violentos na internet e chegou a planejar atos de extrema brutalidade. Um dos alvos, localizado em Macaé, no Norte Fluminense, prometia se vingar de Lady Gaga, a quem acusava de “satanismo”, e afirmava que realizaria um ritual com o assassinato de uma criança durante o show.

— Ele dizia que a cantora era satanista e que ele iria fazer um ritual satanista também, matando uma criança durante o show — relatou o delegado Felipe Curi, destacando a gravidade da ameaça.

A operação, chamada de Fake Monster, cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. O objetivo foi interromper o planejamento e coibir a articulação dos integrantes nas redes. Ao todo, nove pessoas foram alvos da investigação. Um homem foi preso por porte ilegal de arma no Rio Grande do Sul, e um adolescente foi apreendido no Rio por armazenamento de pornografia infantil.

De acordo com o delegado Carlos Oliveira, da Delegacia de Repressão aos Crimes Extremistas (DRAE), a legislação antiterrorismo no Brasil prevê a responsabilização por atos preparatórios, mesmo que o crime não tenha sido consumado.

— Você não precisa esperar ele jogar o coquetel molotov. Ele demonstrou intenção, articulação com outras pessoas. O ato preparatório pode ser considerado crime — explicou.

A ação contou com o apoio da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), que tem intensificado esforços para combater crimes cibernéticos com motivação extremista. O delegado Luiz Lima destacou o papel da internet como meio de radicalização e recrutamento de adolescentes para ações violentas.

— Foi uma ação integrada e que salvou centenas de vidas. Esses grupos organizados têm metas para alcançar notoriedade, arregimentar mais espectadores, mais participantes, a maioria adolescentes, muitas crianças — disse Lima.

A Polícia Civil também enfatizou que a ofensiva buscou reafirmar que o ambiente digital não é um território sem lei. Os envolvidos deverão responder por crimes como terrorismo, incitação à violência e, no caso do menor apreendido, também por pornografia infantil.

A operação garantiu que o show de Lady Gaga transcorresse com segurança e sem incidentes. A apresentação, marcada por forte presença do público LGBTIA+ e uma mensagem de inclusão e resistência, foi celebrada como um momento histórico na orla carioca — agora, também marcado por uma investigação que evitou o que poderia ter sido uma tragédia.

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