A ONG Criola lança, nesta sexta-feira (05), o Diagnóstico Territorial da Saúde das Mulheres Negras da Baixada, documento que reúne dados sobre barreiras de acesso à Atenção Primária, demora para exames e obstáculos enfrentados no atendimento básico.
O material será apresentado durante o Seminário Saúde das Mulheres Negras da Baixada, na Secretaria da Mulher de Nova Iguaçu. O evento vai reunir gestoras públicas, lideranças comunitárias e organizações parceiras.
Ao longo do encontro, representantes da gestão municipal, mulheres do território e coletivos locais compõem o painel “Atenção Primária Antirracista: compromissos da gestão com as mulheres negras da Baixada”, mediado por Nathália Ribeiro, líder do projeto Saúde das Mulheres Negras da organização.
Quatro desafios no acesso à saúde
Segundo Nathália, os dados mostram, inicialmente, a dificuldade extrema de acesso: entre 65% e 75% das mulheres enfrentam obstáculos para marcar consultas e exames na Atenção Primária, e mais da metade relata longas filas.
O segundo ponto é a falta de acolhimento, muitas vezes atravessada pelo racismo institucional. E o terceiro desafio envolve os direitos sexuais e reprodutivos. Em Ponto Chic, 70% das entrevistadas não recebem qualquer orientação contraceptiva.
Já o quarto aspecto é a baixa resolutividade da Atenção Primária, que deveria funcionar como porta de entrada do SUS, mas não tem garantido o cuidado básico, pontua a líder.
”Por fim, o diagnóstico identifica um desalinhamento entre o que prevê o Plano Municipal de Saúde de Nova Iguaçu e o que chega, de fato, às mulheres negras do território. Na prática, a APS não assegura integralidade, equidade ou continuidade do cuidado”, explica.
Sobre o Seminário
A iniciativa busca ampliar o diálogo com o poder público e estruturar a agenda de incidência do ciclo de 2026.
O seminário consolida uma coalizão de mulheres negras da Baixada e fortalece a atuação de lideranças que contribuem para a formulação de políticas públicas de saúde. Segundo Ribeiro, o encontro reforça a organização e a capacidade de proposição dessas mulheres:
“Este seminário reafirma a potência das mulheres negras da Baixada e deixa claro que temos diagnóstico, temos propostas e queremos compromissos concretos. Chegamos para dialogar e para transformar”.
Mini Carta da Baixada
Ao final, as participantes entregam a Mini Carta da Baixada, documento político que reúne recomendações, prioridades e demandas territoriais para garantir a saúde integral das mulheres negras em 2026.
O diagnóstico foi elaborado por Joseane Martins (Coletivo Filhos nos Braços do Pai), com relatos de 20 mulheres de Ponto Chic, em Nova Iguaçu, sobre suas experiências na Atenção Primária.
O segundo, a Ana Lúcia Castro do Instituto Maria Luz, com apoio da assistente de campo Rosânia Nascimento, reuniu relato de 40 mulheres negras da Baixada.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes






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