A Faixa de Gaza voltou a ser palco de bombardeios intensos nesta sexta-feira (16), com ataques aéreos de Israel que deixaram ao menos 64 mortos, segundo um levantamento feito pela agência Associated Press com base em dados de dois hospitais da região. É o terceiro dia consecutivo de intensificação da ofensiva israelense contra alvos no território palestino, elevando o número total de vítimas para mais de 200 desde quarta-feira (14), segundo a Defesa Civil local.
De acordo com relatos de sobreviventes e profissionais de saúde, muitos corpos ainda estariam sob os escombros, impossibilitando uma contagem precisa de vítimas. A escalada acontece no momento em que aumenta a pressão internacional por um cessar-fogo e o desbloqueio de ajuda humanitária para a região, que está isolada há mais de três meses.
Ataques atingem civis em Khan Younis
Os bombardeios mais intensos desta quinta-feira (15) ocorreram na cidade de Khan Younis, no sul de Gaza. Um cinegrafista da Associated Press registrou ao menos dez explosões na região, de onde corpos foram levados ao necrotério do Hospital Nasser. As ofensivas atingiram casas e tendas improvisadas, matando dezenas de civis, incluindo mulheres e crianças. Segundo autoridades locais, mais de 20 crianças morreram desde o início da nova onda de ataques.
Entre as vítimas confirmadas, está o jornalista Hasan Samour, da emissora catari Al Araby TV. A rede anunciou que ele foi morto junto com 11 integrantes de sua família. O caso repercutiu internacionalmente e reforçou os alertas sobre o impacto do conflito na população civil e nos profissionais de imprensa que atuam na cobertura do conflito.
Israel afirma mirar alvos militantes
O Exército de Israel declarou que, apenas nos dois últimos dias, sua força aérea atingiu cerca de 130 alvos supostamente usados por grupos militantes palestinos. Autoridades israelenses sustentam que os bombardeios têm como foco posições estratégicas do Hamas e da Jihad Islâmica, mas as mortes de civis levantam críticas quanto à proporcionalidade e ao alcance das ações, que algumas entidas de direitos humanos têm classificado como genocídio.
Expectativa frustrada por cessar-fogo
Os ataques coincidem com a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Oriente Médio. Embora sua agenda inclua países do Golfo, Israel não foi incluído no itinerário, frustrando esperanças de uma possível mediação estadunidense para um cessar-fogo ou para a retomada do envio de ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
Na noite de quarta-feira (14), ao menos 80 pessoas morreram em ataques simultâneos ao norte e ao sul do território. O número de crianças mortas naquela noite também superou 20, segundo autoridades locais.





