Poucos autores marcaram tanto a teledramaturgia brasileira quanto Benedito Ruy Barbosa, falecido nesta terça-feira (7), aos 95 anos. Reconhecido por retratar o universo rural, a cultura caipira, tradições e conflitos familiares e a relação do homem com a natureza, o escritor construiu uma das carreiras mais importantes da televisão.
Ao longo de mais de cinco décadas, criou sucessos que atravessaram gerações e influenciaram a forma como o interior do país passou a ser representado nas novelas.
Seu primeiro grande sucesso nacional foi Cabocla, adaptação do romance de Ribeiro Couto. Ambientada no interior do Brasil do início do século XX, a trama acompanha o romance entre a jovem Zuca e Luís Jerônimo, em meio às disputas entre coronéis e aos preconceitos da época. O elenco contou com Glória Pires, Fábio Júnior, Tony Ramos e Eva Wilma. A novela fez tanto sucesso que ganhou um remake em 2004, estrelado por Vanessa Giácomo e Daniel de Oliveira.
Em 1986, Benedito escreveu Sinhá Moça, uma das produções mais marcantes sobre a escravidão na televisão. A trama retrata a luta abolicionista por meio da história da jovem Sinhá Moça, filha de um poderoso fazendeiro escravocrata, que se apaixona por um advogado defensor da liberdade dos escravizados. O elenco reuniu Lucélia Santos, Rubens de Falco, Mauro Mendonça, Chica Xavier e Grande Otelo. Em 2006, a obra recebeu uma nova versão protagonizada por Débora Falabella e Danton Mello.
Outro marco foi Pantanal, exibida originalmente pela Rede Manchete. A novela revolucionou ao apostar em gravações externas e valorizar as paisagens do Pantanal brasileiro. A história gira em torno de Juma Marruá, mulher criada em meio à natureza e cercada por lendas, e de seu romance com Jove. O elenco original contou com Cristiana Oliveira, Cláudio Marzo, Marcos Winter, Jussara Freire, Ângela Leal e Paulo Gorgulho. A produção se tornou um fenômeno de audiência e ganhou um remake em 2022, com Alanis Guillen, Jesuíta Barbosa, Marcos Palmeira, Dira Paes e Murilo Benício.
Em 1993, Benedito assinou Renascer, considerada uma de suas obras-primas. Ambientada na região cacaueira da Bahia, a novela acompanha a trajetória do fazendeiro José Inocêncio, homem cercado por lendas e conflitos familiares. O elenco trouxe Antônio Fagundes, Marcos Palmeira, Patrícia França, Jackson Antunes, Osmar Prado, Adriana Esteves e Leonardo Vieira. Em 2024, a novela voltou ao ar em remake estrelado por Marcos Palmeira, Humberto Carrão, Juan Paiva, Sophie Charlotte e Duda Santos.
Dois anos depois, veio O rei do gado, uma das maiores audiências da televisão brasileira. A trama narra a rivalidade entre duas famílias descendentes de italianos e discute temas como reforma agrária, movimentos sociais e produção agropecuária. O protagonista Bruno Mezenga foi interpretado por Antônio Fagundes, enquanto Patrícia Pillar viveu Luana.
Em 1999, o autor voltou a explorar o universo rural em Terra nostra, que retrata a imigração italiana para o Brasil no final do século XIX. A produção foi protagonizada por Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda, além de reunir Raul Cortez, Antônio Fagundes, Maria Fernanda Cândido e Tony Ramos. A novela recebeu reconhecimento internacional pela reconstituição de época.
Na sequência, escreveu Esperança, que retomou a temática da imigração italiana e espanhola durante o período da industrialização paulista. O elenco contou com Reynaldo Gianecchini, Priscila Fantin, Raul Cortez, Ana Paula Arósio, Tony Ramos e Aracy Balabanian.
Seu último grande trabalho inédito foi Velho Chico, escrita em parceria com Edmara Barbosa e o neto, Bruno Luperi. Ambientada às margens do Rio São Francisco, a novela retrata conflitos familiares, disputas políticas e questões ambientais. O elenco reuniu Rodrigo Santoro, Camila Pitanga, Domingos Montagner, Lucy Alves, Antônio Fagundes, Christiane Torloni, Irandhir Santos e Selma Egrei. A novela ficou marcada também pela morte de Domingos durante as gravações, que gerou comoção no país e levou a produção a adaptar seus capítulos finais.






Deixe um comentário