O caminho até o lugar que o educador e antropólogo Darcy Ribeiro chamou, nos anos 1990, de “paraíso na Terra”, reúne candidatos com patrimônios bem distantes da remuneração oferecida pelo cargo. Dos 14 nomes que disputam as duas vagas do Rio de Janeiro no Senado em 2026, nove (64,28% do total) declararam à Justiça Eleitoral bens inferiores a R$ 400 mil. Dois afirmaram não possuir patrimônio e quatro informaram menos de R$ 40 mil.
O contraste ganha dimensão diante do salário de senador, atualmente superior a R$ 46 mil mensais. Entre os candidatos com menor patrimônio estão Mônica Benício (PSOL) e Vinicius Benevides (UP), que não apresentaram bens à Justiça Eleitoral. Logo acima aparecem Marcelo Crivella (Republicanos), com R$ 5.084,74; Michelhy Xavier (UP), R$ 33 mil; Carlos Jordy (PL), R$ 35.234,23; e Paula Falcão (PSTU), R$ 38,2 mil.
Crivella volta à disputa com R$ 5 mil declarados
O caso de Marcelo Crivella chama atenção pela longa trajetória na vida pública. Depois de 22 anos ocupando cargos políticos, o deputado federal declarou apenas uma aplicação em renda fixa de R$ 5.084,74. O republicano já passou justamente pelo “paraíso” descrito por Darcy Ribeiro: exerceu mandato de senador por 14 anos. Crivella também foi ministro da Pesca no governo Dilma Rousseff, prefeito do Rio e atualmente exerce mandato na Câmara dos Deputados.
Benedita tem o terceiro maior patrimônio
Outra veterana da política fluminense, Benedita da Silva (PT), aparece no extremo oposto do ranking. A petista declarou R$ 1.304.312,81 e ocupa a terceira posição entre os candidatos com maior patrimônio. Seu bem mais valioso é um fundo de investimentos de R$ 499.786,65. Ela também informou apartamentos, uma casa na comunidade do Chapéu Mangueira, sala comercial, veículo e recursos em contas e aplicações.
Benedita iniciou sua trajetória parlamentar há 44 anos, ao ser eleita vereadora do Rio em 1982 com o slogan “Mulher, Negra e Favelada”. Desde então, passou pela Câmara dos Deputados, pelo próprio Senado e ministra de Estado, com salários atuais acima de R$ 46 mil
Também ocupou os cargos de vice-governadora e governadora, com salários superiores a R$25 mil. Agora, tenta retornar à Casa onde exerceu mandato entre 1995 e 1998.
Pedro Paulo lidera ranking de bens
No topo está Pedro Paulo (PSD), com R$ 1.799.844,05, distribuídos principalmente entre aplicações financeiras, previdência, poupança e saldos bancários. Carlos Portinho (PL) ocupa o segundo lugar, com R$ 1.401.120,53, seguido por Benedita da Silva (R$ 1.304.312,81) e Marcos Dias (Podemos), com R$ 1.025.250,00. Pastor e vereador em primeiro mandato, concentra quase todo o patrimônio em um apartamento avaliado em R$ 800 mil. Logo atrás vem o ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Waguinho (Republicanos), que declarou R$ 932.763,30.
Ranking do menor para o maior patrimônio
- Mônica Benício (PSOL) — sem bens declarados.
- Vinicius Benevides (UP) — sem bens declarados.
- Marcelo Crivella (Republicanos) — R$ 5.084,74 — maior bem: aplicação em renda fixa de R$ 5.084,74
- Michelhy Xavier (UP) — R$ 33.000 — maior bem: Chevrolet Cobalt 2012, de R$ 33 mil
- Carlos Jordy (PL) — R$ 35.234,23 — maior bem: aplicação CDB de R$ 33.434,23
- Paula Falcão (PSTU) — R$ 38.200 — maior bem: Fiat Palio, de R$ 38,2 mil
- Ó Clemente (Democrata) — R$ 125.969,72 — maior bem: Honda City 2021, de R$ 97,8 mil
- André Monteiro (Democrata) — R$ 281.839,19 — maior bem: participação societária de R$ 100 mil
- Hélio Secco (Missão) — R$ 385.177,81 — maior bem: apartamento de R$ 162.908,31
- Waguinho (Republicanos) — R$ 932.763,30 — maior bem: casa de R$ 312.283
- Marcos Dias (Podemos) — R$ 1.025.250,00— maior bem: apartamento de R$ 800 mil.
- Benedita da Silva (PT) — R$ 1.304.312,81 — maior bem: fundo de investimentos de R$ 499.786,65
- Carlos Portinho (PL) — R$ 1.401.120,53 — maior bem: participação de 1/5 em prédio residencial, de R$ 416.383,37
- Pedro Paulo (PSD) — R$ 1.799.844,05 — maior bem: aplicação em renda fixa de R$ 300 mil







Deixe um comentário