A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República mudou os planos do PL para o comando da Câmara dos Deputados. O líder do partido na Casa, deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), desistiu de disputar a presidência e anunciou que pretende reunir a bancada na próxima semana para definir os rumos da legenda na eleição interna.
Com a decisão, o partido, que tem a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, terá de escolher entre apoiar a reeleição do atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), ou procurar outro candidato para enfrentar a articulação política que já se desenha em torno do parlamentar.
Sóstenes afirmou que sua candidatura estava diretamente ligada a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. “Eu sempre falei que seria presidente da Câmara se o Flávio ganhasse. Não tenho interesse em ser candidato com Lula”, declarou o deputado.
Segundo ele, a bancada do PL será consultada antes de qualquer definição sobre o posicionamento do partido na disputa pelo comando da Câmara.
Sóstenes e Altineu Côrtes eram cotados para a presidência
A possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial também alimentava as articulações de outros parlamentares do Rio de Janeiro para ocupar postos estratégicos no Congresso Nacional.
Além de Sóstenes Cavalcante, o deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), atual vice-presidente da Câmara, era citado nos bastidores como possível candidato à presidência da Casa caso o senador do PL chegasse ao Palácio do Planalto.
Altineu também trabalhava para conquistar espaço no Tribunal de Contas da União (TCU).
No Senado, o nome do senador Carlos Portinho (PL-RJ) também aparecia entre as possibilidades para a sucessão no comando da Casa em um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro.
A derrota do senador, porém, alterou o cenário político e enfraqueceu as perspectivas de avanço dessas articulações vinculadas a uma eventual mudança no comando do Executivo federal.
Hugo Motta ganha força pra ficar no cargo
A desistência de Sóstenes tende a ampliar o favoritismo de Hugo Motta na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados.
O atual presidente já reúne o apoio de dez partidos, incluindo siglas de centro, como PP, Republicanos, União Brasil, PSD, Podemos e MDB, além de partidos de esquerda, como PDT, PSB e PV.
A articulação reúne legendas com diferentes orientações políticas e busca construir uma base ampla para garantir a continuidade de Motta no comando da Casa.
O movimento também reduz o espaço do PL nas negociações para a eleição da presidência da Câmara. Embora tenha a maior bancada, o partido enfrenta dificuldades para construir uma candidatura competitiva diante da aliança formada em torno do atual presidente.
Motta, por sua vez, não descarta receber o apoio do PL. O deputado tem defendido a construção de uma candidatura capaz de reunir diferentes forças políticas e ampliar a unidade entre os parlamentares.
A definição do PL deverá ocorrer após uma reunião da bancada prevista para a próxima semana.
Além das negociações com as direções partidárias, Motta pretende buscar o apoio individual dos deputados. A estratégia inclui uma série de reuniões com parlamentares eleitos para consolidar sua base de sustentação.
A disputa pelo comando da Câmara é considerada estratégica porque o presidente da Casa tem influência sobre a pauta de votações, a tramitação de projetos e o funcionamento dos trabalhos legislativos.
Nesse cenário, a decisão do PL poderá definir o peso político da legenda nas negociações com os demais partidos e sua capacidade de influenciar os rumos do Legislativo.







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