* Paulo Baía
Em época de pré-campanha eleitoral e campanha eleitoral para prefeito de todas as prefeituras e para vereança em todos os municípios brasileiros, as palavras correm soltas, mas as palavras têm sentido vazio na grande maioria das vezes. É importante que em uma campanha eleitoral as palavras correspondam a ações concretas, ações que se traduzam em palavras e não em palavras vazias que não se transformam em ações. Nesse momento, lembro da frase do velho e bom Padre Antônio Vieira: “Para falar ao vento, as palavras são suficientes; para falar ao coração, são necessárias ações, compaixão e caridade.”
A cada ciclo eleitoral, o poder das palavras se manifesta de maneira intensa e muitas vezes superficial. Durante as campanhas eleitorais, candidatos e suas equipes de comunicação se empenham em criar narrativas convincentes, slogans impactantes e discursos emocionantes. Contudo, o desafio reside em garantir que essas palavras não sejam apenas ruído, mas que se traduzam em promessas reais e concretas para a população.
Na corrida para as eleições de 2024, candidatos a prefeitos e vereadores em todo o Brasil estão mais uma vez utilizando as palavras como suas principais ferramentas. Palavras que visam inspirar, motivar e, por vezes, manipular o eleitorado. No entanto, a história tem mostrado que, muitas vezes, essas palavras são desprovidas de substância. O eleitor brasileiro, cansado de promessas não cumpridas, exige mais do que retórica bem elaborada; ele quer ver ações concretas que tragam melhorias reais para suas comunidades.
O contexto atual da política brasileira, com uma população cada vez mais conectada e informada, exige que os candidatos sejam mais transparentes e autênticos em suas comunicações. As redes sociais amplificam tanto a mensagem quanto as críticas, e qualquer descompasso entre o discurso e a prática pode ser rapidamente exposto e amplificado. Nesse cenário, o velho ditado de Padre Antônio Vieira se torna mais relevante do que nunca: “Para falar ao vento, as palavras são suficientes; para falar ao coração, são necessárias ações, compaixão e caridade.”
Em meio a essa paisagem, as campanhas eleitorais de 2024 precisam transcender a superficialidade das palavras. Os candidatos devem se concentrar em demonstrar compaixão genuína e um compromisso real com as necessidades de suas comunidades. As palavras devem ser usadas não apenas para prometer, mas para explicar claramente como as promessas serão cumpridas. Isso implica em detalhar planos de ação, fornecer cronogramas realistas e apresentar dados que sustentem as propostas.
A conexão emocional entre candidato e eleitor é vital, e essa conexão só pode ser estabelecida através de uma combinação de palavras sinceras e ações visíveis. Os eleitores precisam sentir que estão sendo ouvidos e que suas preocupações estão sendo abordadas com seriedade. Isso requer uma abordagem mais empática e humanizada, onde os candidatos não apenas falam sobre políticas públicas, mas também mostram como essas políticas afetarão positivamente a vida das pessoas.
Além disso, a transparência e a honestidade são essenciais. Em um cenário onde a desconfiança na classe política é alta, os candidatos que optarem por um discurso franco e direto, mesmo que isso signifique admitir limitações e desafios, têm maiores chances de conquistar a confiança do eleitorado. Ações concretas, como visitas a comunidades, participação em debates públicos e a implementação de iniciativas piloto durante a campanha, podem ser estratégias eficazes para mostrar que as palavras proferidas não são meramente vazias.
Os partidos políticos e suas lideranças também desempenham um papel crucial nesse processo. Eles devem se esforçar para selecionar candidatos que não apenas possuam habilidades oratórias, mas que também tenham um histórico de realização e um compromisso comprovado com o serviço público. O treinamento e a orientação contínua durante a campanha podem ajudar os candidatos a alinhar melhor suas palavras com suas ações.
Ademais, a mídia e a sociedade civil têm a responsabilidade de escrutinar as campanhas, destacando tanto as promessas quanto os resultados concretos dos candidatos. A cobertura jornalística deve ir além das manchetes e dos slogans, investigando a viabilidade das propostas apresentadas e monitorando o cumprimento das promessas eleitorais após as eleições. Organizações da sociedade civil podem promover debates, fóruns e outras iniciativas que incentivem a participação ativa e informada dos eleitores.
Finalmente, os eleitores têm um papel fundamental nesse processo. É imperativo que os cidadãos exerçam seu direito de voto com responsabilidade, investigando e questionando os candidatos, e exigindo clareza e comprometimento. O voto consciente é a chave para garantir que as palavras proferidas durante a campanha se transformem em ações concretas que beneficiem a coletividade.
Em suma, as campanhas eleitorais para prefeituras e câmaras de vereadores em outubro de 2024 representam uma oportunidade crucial para redefinir a relação entre discurso e ação na política brasileira. As palavras têm o poder de inspirar, mas é através das ações que se conquista a confiança e o respeito do eleitorado. Assim, como nos ensinou Padre Antônio Vieira, é necessário que os candidatos falem não apenas ao vento, mas que toquem o coração da população com ações concretas, compaixão e caridade.
* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.





