Nem mesmo toda a repercussão negativa em torno do Soho House, um clube exclusivo para riquinhos “criativos” lançado em São Paulo foi capaz de conter essa maré. Agora é a vez da Casa Cipriani, outra breguice do gênero anunciar que pretende abrir as portas naquela estranha cidade cinza ao sul do Brasil em 2028. Ou seja, dá tempo de começar a separar num cofrinho o troco da feira.
O clubinho se diz inspirado no famoso Harry’s Bar de Veneza (fundado em 1931 pela família Cipriani) onde, dizem as lendas, foi criado o carpaccio e o Dry Martini. E se Veneza é a Disneylândia dos adultos na Europa, o Harry’s Bar é hoje uma das maiores armadilhas de turistas.
É até difícil acreditar que ele tenha vivido tempos gloriosos quando você precisa deixar um rim para receber em troca um Dry Martini servido num copo de geleia de mocotó Imbasa e o garçom te explicar que o carpaccio servido ali não tem molho — quando tudo o que você queria era levar a namorada para ter uma experiência padrão James Bond.
A Casa Cipriani será um híbrido ambicioso entre hotel cinco-estrelas e clube privado, entupido de mordomos, spa, concierge 24 h e eventos tão exclusivos que os pobres não vão ver nem de longe. A unidade paulistana terá com cerca de 50 suítes, restaurante e toda aquela aura de “só para poucos”. Isto porque embora as obras ainda não tenham começado, a aura já circula pelos bairros nobres.
Para entrar nessa confraria, é moleza: basta pagar uma taxa de inscrição de US$ 2 mil, uma anuidade de US$ 5 mil, passar pelo crivo do clube (que avalia se você tem “cara de VIP”), e seja bem-vindo. E se você achava que tudo que é caro no Brasil precisava de justificativa, agora já tem.
O que são esses novos clubes exclusivos?
Clube exclusivo de ricos é aquele espaço onde o simples ato de existir parece cobrar entrada. Geralmente, são ambientes fechados que oferecem networking na base do “vamos combinar que somos todos influentes” e focados em arte, cultura, bem-estar ou status. A adesão envolve currículo social, indicação e, claro, uma conta bancária que faça os outros sentirem inveja.
Nos grandes centros como Nova York, Londres ou Milão, esse tipo de clube virou ponto de encontro de gente que acha normal pagar milhares de dólares só para subir uma escada de mármore e fingir que está mudando o mundo. Eles oferecem uma rede de contatos valiosa — desde celebridades até executivos — e uma dose generosa de exclusividade temperada com distanciamento social que não se via de modo tão despudorado desde antes da Primeira Guerra Mundial.
O que é a Casa Cipriani?
A Casa Cipriani é ao mesmo tempo um hotel boutique de luxo e um clube privado restrito aos que cabem em seu livro de ouro — tanto por saldo bancário quanto por “perfil”. A marca tem raízes remontando a 1931 e ao famoso Harry’s Bar (tudo storytelling), e ganhou versões glamourosas no mundo inteiro.
O modelo mescla sofisticação arquitetônica com serviços sob medida: lounges aconchegantes, gastronomia refinada, eventos quase clandestinos, e toda aquela cantoria silenciosa entre o “crème de la crème” do High Society — que hoje nem mesmo gosta de ser chamado assim.
Quando surgiu a primeira Casa Cipriani?
A concepção arquitetônica e o conceito de clube moderno vieram com a abertura da Casa Cipriani em Nova York, inaugurada em agosto de 2021, no Battery Maritime Building. Embora a herança da família Cipriani remeta a1 931, com a arapuca original de Veneza, a encarnação moderna do clube, com status de membership e hotel, é tão nova quanto recente: a partir de 2021 entramos na era Casa Cipriani.
Quantos endereços ela tem no mundo?
A marca Cipriani — incluindo hotéis, restaurantes e clubes, sob diferentes formatos — está presente em mais de 50 unidades espalhadas por 14 países. Isso inclui lugares emblemáticos como Veneza, Nova York, Milão, Londres e Istambul, entre outros.
Apesar de o número grande causar uma certa confusão, vale lembrar que nem todas são “Clubes Casa Cipriani”; muitos desses espaços são apenas restaurantes ou hotéis com a marca, mas o selo de exclusividade circula em toda essa constelação.
Qual deles é o mais badalado?
A filial bafônica é, sem dúvida, a Casa Cipriani em Nova York. Ao sul de Manhattan, no Battery Park, ela antropofagiza celebridades, soirées de jazz, e coquetéis no rooftop com presença de gente que se acha muito mais que os outros.
Com uma combinação de hotel, bar, clube e uma pitada de “quem olha de longe já inveja”, o endereço nova-iorquino tem fama de ser “O” lugar. A tal ponto que ser membro global ou apenas ficar hospedado já garante uma aura de sofisticação difícil de reproduzir.

Para entender esta bobagem toda
Em 2022 a Netflix lançou a série Inventando Anna. Ela retrata o episódio real envolvendo Anna Sorokin (o alter ego Anna Delvey), uma golpista que fingia ser uma herdeira alemã e tentou lançar a “Anna Delvey Foundation”, um clube social ultra-mega-exclusivo em Nova York.
Embora dramatize alguns dos golpes de Anna, seus jantares carérrimos e sua ambição de fundar um clube artístico para a alta sociedade, no Brasil a série provocou caraminholas na cabeça do público que até hoje não entendeu, afinal de contas, o que era aquele projeto de clube que Anna pretendia inaugurar.

Quais são os outros clubes exclusivos de ricos mais famosos do mundo?
Em Nova York, há o Zero Bond, com taxa de adesão de US$ 4 mil e outros US$ 4 mil de anuidade (mais de R$ 44 mil) e o Aman New York, o mais exclusivo dos exclusivos com membership de US$ 200 mil para até cinco pessoas e outros US$ 15 mil por nomes extras. É mais de um milhão por ano só para fazer networking.
Quanto vai custar para ser membro da Casa Cipriani no Brasil?
O futuro membro deverá desembolsar US$ 2 mil de taxa de entrada e US$ 5 mil de anuidade, ou seja, cerca de US$ 7 mil (R$ 38,5 mil na cotação atual) “para brincar de elite”. O valor inclui serviços de mordomo, concierge 24h, spa e acesso a eventos privados.
Portanto pela “modesta” fortuna de US$ 7 mil por ano, o associado terá direito aos serviços listados acima, experiências gastronômicas de alto nível (cobradas à parte) e eventos exclusivos só para membros.

Quais são os critérios para ser aceito na Casa Cipriani?
Eles ainda são sigilosos, o que faz parte do show, afinal, exclusividade não se anuncia. Mas sabe-se que além do pagamento da taxa de entrada e anuidade, a adesão dependerá de avaliação e aprovação do clube, baseada em perfil. Ou seja, você precisa ser rico e socialmente “adequado” — um filtro perfeito para a elite mais azeda do planeta.


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