O Centro do Rio vive uma nova etapa de ocupação, marcada pela chegada de empreendimentos residenciais, restaurantes, espaços culturais e projetos de recuperação de imóveis. O movimento tenta reverter o forte esvaziamento registrado durante a pandemia de Covid-19 e criar uma região com circulação de moradores, trabalhadores e visitantes também fora do horário comercial.
O cenário é retratado em reportagem publicada neste domingo (6) pelo jornal O Globo, que percorreu diferentes pontos do Centro e da Lapa e identificou uma série de investimentos em andamento ou prestes a sair do papel.
Moradia avança no Centro
Um dos principais motores dessa transformação é a expansão da oferta residencial. De acordo com dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) citados por O Globo, das 8.903 unidades licenciadas desde 2021, quando foi criado o Reviver Centro, 3,7 mil já estão prontas ou em construção.
Na Rua Sete de Setembro, o antigo Shopping Vertical, que tinha 64 lojas, está sendo transformado em um residencial. O projeto prevê 172 estúdios, de 28 a 40 metros quadrados. Todas as unidades já foram vendidas na planta, a partir de R$ 360 mil.
Outro empreendimento é o Connect Square, previsto para o Buraco do Lume, na Rua São José. O projeto de uso misto terá 584 unidades, e o início das obras está programado para janeiro.
Gastronomia e cultura ganham espaço
A retomada também passa pela ocupação de imóveis com bares, restaurantes e atividades culturais. Segundo a reportagem de O Globo, quatro restaurantes estão sendo preparados no polo gastronômico do Beco das Sardinhas. Na Rua do Lavradio, a Casa Jovê chega com gastronomia brasileira, enquanto o Pérola terá palco para apresentações e espaço destinado a exposições.
A Rua do Senado também receberá novos estabelecimentos. Madame Lee e Feline têm abertura prevista para outubro. A região ganhou ainda o Quintal da Clementina, espaço voltado para rodas de samba e gastronomia.
Na Lapa, a movimentação inclui projetos de hospedagem e residenciais. A Glória Participações planeja abrir, em 2027, um hostel com 120 camas na Rua Mem de Sá.
Salas comerciais vazias ainda desafiam recuperação
Apesar dos novos investimentos, a recuperação está longe de ser concluída. Dados da Associação Brasileira de Administradores de Imóveis (Abadi), também apresentados pela reportagem, mostram que 7,4 mil das 22,6 mil salas comerciais existentes no Centro permanecem vazias. A taxa de vacância é de 33%, contra 40% em 2021.
A expectativa do mercado é que a chegada de novos moradores ajude a criar demanda permanente por comércio e serviços, reduzindo gradualmente a ociosidade dos imóveis e ampliando o movimento durante a noite e nos fins de semana.
O processo é impulsionado pelo Reviver Centro, programa municipal criado para estimular moradias, retrofits e novos usos para imóveis antes destinados principalmente a atividades comerciais.







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