Uma infusão única de um novo tratamento à base de células-tronco pode ter representado uma virada histórica no combate ao diabetes tipo 1. De acordo com reportagem de Gina Kolata, do The New York Times, publicada nesta segunda-feira (23), o medicamento experimental zimislecel, desenvolvido pela farmacêutica Vertex Pharmaceuticals, conseguiu eliminar a necessidade de insulina em 10 dos 12 pacientes com a forma mais grave da doença. Um ano após o início do estudo, os outros dois participantes também relataram redução significativa nas doses.
Os resultados promissores foram apresentados na noite da última sexta-feira (20), durante o congresso anual da Associação Americana de Diabetes, e publicados simultaneamente na revista The New England Journal of Medicine.
O zimislecel consiste em uma infusão de células-tronco modificadas em laboratório para se transformarem em células das ilhotas pancreáticas — estruturas responsáveis pela produção de insulina. Essas células são introduzidas no corpo dos pacientes, onde se instalam no pâncreas e começam a exercer a função de regular os níveis de glicose no sangue, substituindo as células destruídas pelo sistema imunológico nos casos de diabetes tipo 1.
Apesar do avanço, o tratamento levanta uma questão delicada: todos os participantes precisam tomar medicamentos imunossupressores diariamente para evitar a rejeição das novas células. Esse tipo de medicamento, usado por transplantados, enfraquece o sistema imunológico e pode tornar os pacientes mais vulneráveis a infecções e outros problemas de saúde.
Especialistas que acompanham o estudo consideram os resultados “impressionantes”, mas ponderam que o custo-benefício do uso contínuo de imunossupressores precisa ser avaliado com cautela, sobretudo em pacientes jovens e saudáveis. A expectativa é que, no futuro, a ciência consiga encontrar formas de tornar as células transplantadas invisíveis ao sistema imunológico, eliminando a necessidade desses medicamentos.
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune incurável que geralmente surge na infância ou adolescência, quando o sistema imunológico passa a atacar as células beta do pâncreas. Pacientes precisam de múltiplas aplicações diárias de insulina e monitoramento constante da glicose no sangue para evitar complicações graves.
O zimislecel ainda está em fase experimental, mas, se os estudos seguirem demonstrando segurança e eficácia, poderá representar a primeira terapia funcional de longo prazo contra a doença.





