Em viagem oficial a Nova York para tratar de temas ligados à segurança pública, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), propôs nesta sexta-feira (9) um acordo de cooperação com a Agência de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA).
Durante encontro com representantes da divisão americana, Castro sugeriu a formalização de um memorando de intenções com o objetivo de integrar forças no enfrentamento ao narcotráfico. A ideia é permitir o compartilhamento de dados e técnicas entre a DEA e as autoridades fluminenses para frear a atuação de organizações criminosas no estado.
“Vamos unir nossos agentes aos do DEA, que tem escritório no Rio. Firmar um memorando de intenções com o Departamento Antidrogas dos Estados Unidos será extremamente enriquecedor, porque estamos falando de uma divisão com expertise reconhecida em todo o mundo por operações como o desmantelamento do Cartel de Medellín”, afirmou Castro.
A DEA, órgão vinculado ao Departamento de Justiça dos EUA, é responsável por investigar, prender e desarticular redes de tráfico e distribuição de entorpecentes em nível internacional. Além disso, coopera com outras nações no combate a crimes transnacionais.
A visita do governador ocorre em meio a discussões no Brasil sobre o possível reconhecimento de facções do Rio de Janeiro como organizações narcoterroristas. Na quinta-feira (8), o secretário de Estado de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, declarou em entrevista coletiva que será entregue aos EUA um relatório produzido por serviços de inteligência da Polícia Militar e da Polícia Civil.
De acordo com Santos, o documento detalha vínculos entre chefes do Comando Vermelho, milicianos e redes internacionais de crime organizado, incluindo máfias europeias e grupos já classificados como terroristas por organismos internacionais. O objetivo é obter apoio formal do governo americano para reforçar a cooperação técnica com foco na repressão a crimes financeiros.
— O sistema financeiro dos EUA, com o uso do Swift (Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais), tem facilidade em rastrear e bloquear valores suspeitos no mundo todo. Se houver suspeita de que o dinheiro venha de uma organização criminosa ou terrorista, é possível agir rapidamente — explicou o secretário.
A expectativa do governo do Rio é de que a aproximação com agências americanas como a DEA contribua para fortalecer o treinamento de agentes estaduais e ampliar a capacidade de rastreio de capitais ilícitos que alimentam o crime organizado.





