A cultura brasileira ganhou uma nova vitrine digital. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado do lançamento da Tela Brasil, plataforma pública e gratuita de streaming criada pelo Ministério da Cultura para ampliar o acesso da população ao audiovisual nacional.
A iniciativa estreia com mais de 500 títulos entre filmes, documentários, séries, animações, curtas e conteúdos infantis. Segundo o governo federal, o catálogo deverá se aproximar de mil obras nos próximos meses graças a novos acordos de cooperação e à incorporação de produções da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Durante o evento, Lula afirmou que o projeto busca fortalecer a identidade cultural brasileira e ampliar o conhecimento da população sobre a própria história.
“O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, declarou o presidente.
O chefe do Executivo também criticou o predomínio de conteúdos estrangeiros no mercado audiovisual e defendeu uma maior valorização das produções nacionais.
“É muito importante a gente conhecer a nossa própria gente. É muito importante nós não sermos estranhos entre nós”, afirmou.
Democratização do acesso
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou que a criação da plataforma atende à proposta de ampliar o acesso aos direitos culturais da população brasileira.
Segundo ela, um dos principais desafios do setor audiovisual é justamente a distribuição das obras produzidas no país.
“Uma plataforma gratuita onde o povo brasileiro vai poder se ver, pesquisar. Teremos ali uma diversidade grande da produção, desenhos animados, filmes premiados. É o primeiro passo para fortalecer a nossa identidade e a soberania cultural do nosso povo”, disse.
O acesso à plataforma será realizado por meio da conta Gov.br. Inicialmente, a Tela Brasil estará disponível em versão web, com aplicativos previstos para os próximos dias.
Audiovisual entra na Nova Indústria Brasil
Outro anúncio feito durante o lançamento foi a inclusão do audiovisual nas metas do programa Nova Indústria Brasil.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que o setor já representa 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gera mais de 680 mil empregos diretos.
A meta do governo é elevar essa participação para 1% do PIB por meio de linhas de financiamento, incentivo à regionalização das produções e ampliação da presença internacional do audiovisual brasileiro.
“O audiovisual brasileiro faz parte da Nova Indústria Brasil. A meta é fazer com que essa participação passe de 0,6% para 1% do PIB”, afirmou o ministro.
Tecnologia desenvolvida por universidade pública
A plataforma foi desenvolvida pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL). De acordo com a coordenação do projeto, a ferramenta foi construída com tecnologia nacional e inclui recursos de acessibilidade e preservação de acervos audiovisuais.
O governo também assinou um acordo entre o Ministério da Cultura e a EBC para ampliar a oferta de conteúdos. A parceria prevê a incorporação de milhares de horas de programação da TV Brasil, incluindo documentários, programas culturais e produções originais.
Lula defende cultura como política de Estado
Ao encerrar o evento, Lula afirmou que iniciativas como a Tela Brasil precisam se consolidar como políticas permanentes, independentemente de mudanças de governo.
“Isso não pode ser política de governo. Tem que ser política de Estado. Porque se for apenas política de governo, qualquer um que entra pode tirar”, declarou.
O presidente também defendeu o fortalecimento das políticas culturais e destacou que a cultura tem papel fundamental na formação da identidade nacional, na geração de empregos e no desenvolvimento econômico do país.
Com a entrada em operação da Tela Brasil, o governo aposta em ampliar a presença do cinema e do audiovisual nacional nas telas dos brasileiros, oferecendo acesso gratuito a produções que retratam a diversidade cultural do país.





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