Nísia não avança na reabertura dos 3 mil leitos fechados nos hospitais federais do Rio e enfrenta protesto contra mudanças na gestão das unidades

Para exigir a imediata exoneração de Alexandre Telles do cargo de coordenador do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) no Rio, os profissionais da rede federal de saúde fazem uma nova manifestação em frente ao órgão, nesta quinta-feira (14/3), a partir das 11 horas

Para exigir a imediata exoneração de Alexandre Telles do cargo de coordenador do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) no Rio, os profissionais da rede federal de saúde fazem uma nova manifestação em frente ao órgão, nesta quinta-feira (14/3), a partir das 11 horas, na Rua México. Os servidores criticam o gestor – nomeado pela ministra Nísia Trindade, com o aval do deputado federal Dimas Gadelha – e afirmam que o dirigente tem cortado ainda mais o orçamento das unidades da rede, aumentando o caos nos hospitais federais do rio.

O descontentamento com a gestão de Alexandre Telles é mais um capítulo da crise dos hospitais federais no Rio. Em meio a troca de acusações, Nisia Trindade não tem conseguido avançar na abertura dos mais de 3 mil leitos dos hospitais federais no estado que continuam fechados.

Entre outras medidas, Alexandre Telles centralizou todas as comprars, retirando autonomia das unidades. A portaria concentrando poder no coordenador é da ministra, que, diante da pressão, adiou a implementação da medida.  

Em fevereiro, Alexandre Telles isolou-se ainda mais ao criar a Coordenação-Geral de Governança Hospitalar, centralizando a gestão das unidades e acabando com o trabalho conjunto com as diretorias dos hospitais federais.

“Isso não é gestão, é um bando de aloprados. A gente quer que isso tenha fim. O que a gente quer são condições dignas de trabalho e de atendimento à população; queremos investimento, concurso público e sermos tratados com o devido respeito”, afirmou a diretora do Sindsprev/RJ Christiane Gerardo. Segundo informações, os equívocos de Telles têm piorado também a relação interna no DGH, levando a uma escalada de desentendimentos

Aliados da ministra viram na reação as digitais do deputado federal Dimas Gadelha, pré-candidato do PT à prefeitura de São Gonçalo, e do diretório fluminense de maneira geral. Entre os petistas, Gadelha é o que tem maior influência na rede federal. Atual diretor-geral do DGH, Alexandre Telles foi avalizado pelo parlamentar e pelo partido antes de assumir o cargo, mas hoje é visto por eles como alguém avesso ao diálogo.

O deputado diz que é aliado de Nísia e que critica apenas a forma como as coisas estão sendo feitas pelo DGH:

— Sou da base da Nísia e defendo a portaria se ela for feita com debate, ouvindo a ponta. Sou contra a forma como tem sido implementada, sem diálogo. Precisa ter conversa e dar tempo para a implementação.

Na prática, entre outras alterações, a portaria faz com que a direção de cada unidade hospitalar perca o poder de efetuar todas as compras por conta própria. O DGH passa a realizar as aquisições de forma unificada, no atacado, o que proporciona descontos. Segundo interlocutores de Nísia, o novo modelo está em alinhamento com a nova Lei de Licitações, aprovada em 2021, ao promover uma melhor governança. Historicamente, os hospitais federais do Rio são alvo de denúncias de corrupção.

Pasta fala em gestão mais eficiente

Em nota, o ministério diz que busca “uma gestão mais eficiente dos hospitais federais” e que a portaria faz parte dessa meta. “A medida garante que o DGH, por meio de estruturas jurídicas e regimentais adequadas, possa conduzir a gestão dos hospitais federais, unindo forças com servidores lotados nas unidades e com maior harmonia institucional”, diz trecho do documento.

Ainda de acordo com a pasta, a portaria estabelece a gestão centralizada para aquisição de insumos hospitalares e contratação de obras, “que assegura o aumento do poder de negociação devido ao crescimento de escala das necessidades; além da diminuição do gasto com material e mais agilidade nos processos.”

O setorial de saúde do PT  alega que foi surpreendido. “Recebi com imensa surpresa e decepção a carta dos Renomados Diretores dos Hospitais Federais do RJ sobre a publicação de uma portaria modificando a estrutura dos HFs (hospitais federais) e DGH que os desqualifica e desautoriza sobre suas gestões”, diz trecho de um texto distribuído em grupos de WhatsApp pela coordenadora estadual da setorial de Saúde, Fernanda Spitz.

Spitz afirma que escreveu a nota após receber reclamações de cinco dos seis diretores das unidades federais do estado. E, assim como Dimas Gadelha, pontua que a oposição é aos métodos da gestão, não à ministra.

— Apoiamos muito o governo e a companheira Nísia. Porém, a portaria desorganiza os hospitais sem nenhum estudo de risco, sem nada. A própria Nísia não sabia que tinha tudo sido feito dessa forma.

Ligado aos petistas, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social do Rio (Sindsprev-RJ) se reuniu na semana passada com o ministro das Relações Institucionais da Presidência, Alexandre Padilha, para pressionar contra a portaria. Na legenda de uma foto ao lado do ministro, uma dirigente sindical disse que pediu a intervenção dele. “Repudiamos a Portaria que promove o esvaziamento da Gestão Hospitalar e o seu método de implementação pela Gestão de Alexandre Telles”, escreveu.

Em janeiro, o deputado federal e vice-presidente nacional do PT Washington Quaquá chegou a classificar Nísia como “inoperante e frágil” e disse que ela não tem “o tamanho que o governo Lula precisa”.

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