Nísia Trindade demite responsável pelos hospitais federais no Rio

No lugar de Telles, assumirá a atual superintendente do ministério no Rio, Maria Aparecida Braga, mais conhecida como Cida Diogo, que já foi deputada pelo PT.

A ministra Nísia Trindade decidiu demitir o chefe do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), Alexandre Telles, responsável pelos hospitais federais do Rio. A exoneração se dá depois de uma série de notícias sobre o mau funcionamento da rede. Na reunião ministerial desta segunda-feira, Nísia foi muito cobrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chegou a chorar enquanto falava.

“A mudança ocorre diante da necessidade de transformação na gestão do DGH. Na última sexta-feira, foi criado um comitê gestor a fim de orientar e praticar atos de gestão relativos aos hospitais federais”, explicou a pasta, em nota. “O Ministério da Saúde reforça seu compromisso em estabelecer as ações necessárias e empenhar todos os esforços para a reconstrução e fortalecimento dos Hospitais Federais, para que toda a população do Rio de Janeiro tenha acesso à saúde pública de qualidade.”

No lugar de Telles, assumirá a atual superintendente do ministério no Rio, Maria Aparecida Braga, mais conhecida como Cida Diogo, que já foi deputada pelo PT.

 Nísia vinha sofrendo de setores sindicais e da política por causa de uma portaria que daria mais poderes a Telles ao centralizar cargos e funções, como as compras, no DGH. Com a criação de um comitê especificamente voltado para a rede federal do Rio, que passaria a funcionar hoje, a ministra dobrou a aposta num processo de intervenção.

Outra demissão

Na reunião ministerial desta segunda, a ministra sinalizou que também deve demitir o secretário nacional de Atenção Especializada à Saúde, Helvécio Magalhães. A informação foi antecipada pela coluna de Lauro Jardim.

O secretário foi nomeado para ser uma espécie de interventor dos hospitais federais do Rio. Helvécio, contudo, foi citado na reportagem do Fantástico como um dos responsáveis por apadrinhamentos e nomeações sem critérios técnicos nas unidades de saúde, em casos que foram denunciados ao Ministério Público.

Segundo a reportagem, no dia 8 de março, a dona da empresa Potenza, do ramo da construção civil, usou o nome de Magalhães para entrar no Hospital de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. Imagens de câmeras de segurança mostraram Grasielle Esposito na unidade. Além disso, uma ata registrou uma declaração em que ela afirma ter sido enviada ao hospital por Helvécio como consultora, para avaliar as condições da estrutura de energia e tratar da reabertura da emergência da unidade.

Grasielle negou que ocupe cargo público. Em nota ao Fantástico, Helvécio confirmou que a enviou ao hospital e disse que a empresária passava por um processo de contratação como consultora da secretaria.

Indicado para liderar o comitê de intervenção nos hospitais federais do Rio com o propósito de moralizar as práticas administrativas nas unidades, Magalhães está envolvido em pelo menos um procedimento suspeito. Como mostrou o Fantástico, em nome dele a diretora de uma empresa privada – Graciele Espósito, da Construtora Potenza  – participou de reuniões informalmente no Hospital Geral de Bonsucesso  supostamente a fim de  colher informações para executar obras na unidade. A Potenza não tem qualquer vínculo ou contrato com a unidade. A suspeição é de que empresa receberia um contrato emergencial para executar as obras.

Em meio a situação caótica dos hospitais, há um intenso tiroteio nos bastidores da administração da rede . Por trás da denúncia contra os hospitais, está o próprio Departamento de Gestão Hospital.O movimento seria para convencer a todos sobre a necessidade de mudanças, especialmente a respeito da centralização das compras na diretoria.

Imagens já em poder do ministério da Saúde mostram Tatiana Martins Alves, e Gerson Correa Santana, ambos assessores do diretor Alexandre Telles, conduzindo o repórter da GLOBO Mahomed Saigg nos hospitais.

Quando Helvécio Magalhães foi anunciado com o responsável pelo comitê gestor, com poderes acima do DGH, ele também passou a ser controlado e, em seguida, se tornou alvo da denúncia que poderá selar sua demissão.

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