A prisão de Celso Luís Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, realizada nesta quinta-feira (8) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, gerou denúncias de abuso por parte dos agentes envolvidos na operação. Em entrevista publicada originalmente pelo jornal O Globo, a neta do traficante, Lara Mara, afirmou que sua família foi alvo de agressões físicas e psicológicas no momento da abordagem. Segundo ela, a avó foi agredida com um soco, um fuzil foi apontado para seu irmão adolescente e até o cachorro da família foi morto.
“Foi um absurdo! Estava dormindo na casa dos meus avós, quando invadiram a casa. Arrombaram a porta, mataram nosso cachorro, deram um soco na boca da minha avó e apontaram um fuzil na cabeça do meu irmão, de 16 anos, ainda dormindo na cama. Depois levaram meu avô”, relatou Lara, que também preside a escola de samba Unidos de Padre Miguel.
Lara e outros familiares seguiram para a Cidade da Polícia para registrar boletim de ocorrência pelas agressões que, segundo ela, ocorreram sem que houvesse resistência à prisão. “Fomos tratados como bandidos. Querem prender, tem que ser na moral, no respeito”, declarou.
A prisão de Celsinho, de 63 anos, ocorreu na Rua General José Faustino, principal acesso à comunidade da Vila Vintém, em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio. A operação foi conduzida por agentes da 32ª DP (Taquara), da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), como parte da Operação Contenção — estratégia voltada a conter o avanço territorial do Comando Vermelho (CV) e desmantelar a infraestrutura do grupo na região. A Justiça já autorizou o bloqueio de mais de R$ 6 bilhões em bens e valores associados à facção.
Figura histórica no tráfico carioca, Celsinho fundou a facção Amigo dos Amigos (ADA) e, segundo as investigações atuais, teria se aliado a líderes do CV para disputar territórios com milícias que dominam áreas de Santa Cruz, também na Zona Oeste. O criminoso já havia cumprido 25 anos de prisão, sendo libertado em 2022. Na época, chegou a afirmar que pretendia abandonar o crime e que estava criando porcos na comunidade.
Em declarações concedidas à imprensa em ocasiões anteriores, como em 2002 ao O Globo, Celsinho chegou a admitir com franqueza seu envolvimento com o tráfico: “Eu sou traficante. Vivo do tráfico. Sou bandido. Mas eu sou um cara devagar, não dou tiro na polícia. Eu fujo da polícia”. Na época, ele dizia lucrar cerca de R$ 50 mil por semana com a venda de drogas.
A Polícia Civil ainda não se manifestou sobre as acusações feitas por Lara Mara. A investigação sobre os relatos de violência durante a prisão deverá correr paralelamente à operação criminal em andamento. Enquanto isso, a ação policial reacende o debate sobre os limites da força policial e a necessidade de garantir os direitos dos familiares de suspeitos em operações de segurança pública.





