Saiba quem é Celsinho da Vila Vintém e sua atuação antes e depois da prisão

Fundador da facção Amigos dos Amigos, ele é acusado de envolvimento em esquema bilionário ligado ao Comando Vermelho

Celso Luís Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, foi preso nesta quinta-feira (8) durante uma operação da Polícia Civil. Aos 63 anos, ele é considerado um dos nomes mais antigos e influentes do tráfico de drogas na cidade, com longa atuação em comunidades da Zona Oeste.

Nascido e criado na Vila Vintém, em Padre Miguel, Celsinho começou a se envolver em atividades criminosas em 1980, principalmente com roubos de carga na Avenida Brasil. Parte dos produtos roubados era distribuída entre moradores da região, estratégia que contribuiu para consolidar sua influência local.

Durante uma passagem pelo sistema prisional na década de 1990, Celsinho fundou a facção Amigos dos Amigos (ADA), em oposição ao Comando Vermelho, com quem passou a disputar o controle de territórios armados. Na época, mesmo detido, continuou exercendo influência sobre o tráfico na Vila Vintém.

Em 1998, ele escapou da prisão disfarçado de policial militar e permaneceu foragido por quatro anos. Foi recapturado em 2002 e passou duas décadas preso, até ser solto em 2022. A defesa dele alegava que as penas já haviam sido cumpridas e que não havia provas de seu envolvimento em ações recentes do tráfico.

Após a saída da prisão, Celsinho passou a atuar como empresário no ramo de carnes suínas e se aproximou da Unidos de Padre Miguel (UPM), escola de samba da Vila Vintém. Sem exercer cargo oficial, era tratado como patrono informal da agremiação, ao lado da esposa, Deise Mara de Sousa Rodrigues, figura ativa nos bastidores da escola.

Deise representou a UPM na entrega do troféu da Série Ouro em 2024, após a vitória com o enredo sobre Padre Cícero. A neta do casal, Lara Mara Rodrigues da Costa, de 19 anos, atuou como diretora de carnaval e assumiu a presidência da escola neste ano.

Apesar da tentativa de manter um perfil discreto, a suspeita de que Celsinho continuava ligado a atividades criminosas persistia. A nova prisão ocorreu no contexto de uma operação que investiga um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Comando Vermelho.

Segundo a polícia, o grupo movimentou cerca de R$ 6 bilhões nos últimos anos, por meio de empresas de fachada e transações financeiras ilegais.

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