Negociações para ampliar exportação de carne brasileira foram afetadas pela ausência de Lula

A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em missão do governo brasileiro à China nesta semana afetou algumas negociações da indústria de carnes para ampliar exportações. A viagem do governante ao país asiático cria expectativas de avanço na área. Além de um maior número de fábricas habilitadas e reabilitadas para exportar aos…

A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em missão do governo brasileiro à China nesta semana afetou algumas negociações da indústria de carnes para ampliar exportações. A viagem do governante ao país asiático cria expectativas de avanço na área.

Além de um maior número de fábricas habilitadas e reabilitadas para exportar aos chineses, havia perspectiva de discussão de mudanças em um protocolo sanitário sobre casos atípicos de “mal da vaca louca”.

Habilitações para frigoríficos do Brasil ainda podem acontecer, mas as chances neste momento são menores devido ao cancelamento de Lula causado por um diagnóstico de pneumonia.

A missão na China pode garantir as novas habilitações. A previsão inicial era que estas aberturas de mercado e fechamentos de acordos ocorressem nesta semana, com a presença do presidente na missão. O governo brasileiro negocia a remarcação da viagem de Lula à China para os dias 11 a 14 de abril.

Ao menos mais quatro unidades frigoríficas estariam prontas para habilitação, faltando apenas o aval dos chineses após questionamentos adicionais terem sido respondidos nos últimos dias à Administração Geral das Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês).

Inicialmente, eram oito unidades prontas para aprovação, mas apenas quatro do segmento de carne bovina conseguiram a habilitação chinesa anunciada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que encerrou nesta quarta-feira a missão à China.

Houve também a retomada de exportação à China por duas unidades que estavam suspensas, uma de carne bovina e outra de frango da BRF. Entretanto, a companhia ainda busca a reabilitação de suas duas maiores unidades no Brasil, de Lucas do Rio Verde (MT) e Rio Verde (GO).

Em nota do Ministério da Agricultura, Fávaro afirmou nesta quarta que, ao todo, o Brasil conta com “mais de 50 unidades frigoríficas cadastradas para serem avaliadas pelo governo chinês”.

Sobre o fechamento de acordos, uma das fontes disse que o próprio Fávaro reuniu a comitiva de executivos na China e deixou claro que algumas assinaturas só seriam feitas com Lula.

A discussão sobre o protocolo sanitário do embargo automático em casos de vaca louca no Brasil também seria abordada por Lula na viagem.

Atualmente, as exportações de carne bovina do Brasil são automaticamente suspensas para a China quando é detectado um caso da doença Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como “mal da vaca louca”, mesmo antes que sua natureza seja especificada pelas autoridades sanitárias globais.

Em casos atípicos, como o que foi encontrado no Pará em fevereiro, a doença surge espontaneamente e não há risco para o rebanho e saúde humana. Casos clássicos nunca foram encontrados no Brasil.

O setor de carnes pretendia debater com as autoridades chinesas a mudança neste protocolo entre os países para embargar apenas a exportação da carne proveniente do Estado em que a doença foi detectada.

Alguns executivos presentes na comitiva brasileira já retornaram da missão chinesa no início desta semana e outros têm previsão de retorno para quinta-feira, junto com Fávaro.

Apesar das negociações afetadas pela ausência de Lula, o ministro da Agricultura comemorou os resultados alcançados, com destaque para as habilitações conseguidas para frigoríficos — algo que não ocorria desde 2019 —, além do fim da suspensão de exportações de carne bovina que já durava quase 30 dias em função do registro de “mal vaca louca” atípico no Pará, conforme nota do ministério.

Com informações da Folha de São Paulo.

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