O partido ultradireitista Chega, terceira maior força política no Parlamento de Portugal, promove um protesto anti-imigração em Lisboa, adotando um discurso que associa criminalidade ao aumento de imigrantes. A narrativa, liderada pelo deputado Pedro dos Santos Frazão, se baseia em impressões pessoais e dados das redes sociais, mas não encontra respaldo em estudos oficiais, informa Gian Amato, em O Globo.
Em uma publicação na plataforma X, Frazão mencionou um assalto a banco em Santarém, atribuindo o crime a imigrantes brasileiros e afirmando que a “imigração descontrolada” estaria trazendo uma “criminalidade desenfreada” ao país.
Ao ser confrontado pela coluna Portugal Giro sobre a falta de evidências concretas que sustentem essa tese, o parlamentar admitiu não haver estudos que relacionem a imigração à criminalidade, mas defendeu sua posição com base em percepções populares divulgadas nas redes sociais. “A realidade está escondida e o que sabemos é o que lemos nas redes sociais. É empírico, é a visão das pessoas”, justificou.
Número de presos estrangeiros em Portugal caiu
Contrariando o discurso do Chega, dados da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) mostram uma redução significativa no número de presos estrangeiros nos últimos dez anos. Em 2013, havia 2.647 imigrantes detidos em Portugal, enquanto, ao final de 2023, esse número caiu para 2.036 — uma redução de 23%. Esse dado contrasta com o aumento expressivo da população imigrante no mesmo período, que saltou de 401 mil para 1,04 milhão, um crescimento de mais de 150%.
O Chega, no entanto, mantém a narrativa de que a imigração afeta negativamente a segurança pública, mesmo sem evidências concretas para embasar suas declarações. A tentativa de associar a imigração à criminalidade ecoa uma estratégia política de polarização, que visa mobilizar uma parte da população contra os estrangeiros, especialmente os de origem sul-americana.
A Casa do Brasil, instituição de apoio aos imigrantes brasileiros em Portugal, reagiu ao discurso do partido, destacando que o Brasil não é o país com maior índice de letalidade do mundo, como muitas vezes sugerido. Segundo o Anuário de Segurança, o Brasil ocupa a 18ª posição nesse ranking.
“Não queremos virar o Brasil”, afirmou Frazão, reforçando a ideia de que o aumento da imigração resultaria em uma deterioração da segurança pública portuguesa, uma visão que, segundo a Casa do Brasil, distorce a realidade dos dados e reforça preconceitos contra a comunidade imigrante.





