O velório da cantora Nana Caymmi, 84 anos, que morreu nessa quinta-feira (1º), na Clínica São José, no Humaitá, no Rio de Janeiro, foi realizado no Theatro Municipal até às 12h. Amigos mais próximos, como Gilberto Gil, Elba Ramalho e Teresa Cristina, estiveram presentes e participaram de uma missa em homenagem à Nana. O enterro aconteceu às 14h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

O irmão da cantora, Danilo Caymmi, falou sobre o legado da artista para a música brasileira. “Ela transitava por todas as áreas da música. Cantou MPB, sambas e boleros. A contribuição dela é inestimável”, disse.
Ao anunciar a morte da irmã pelas redes sociais, Danilo, visivelmente emocionado, citou “nove meses de sofrimento” da artista, internada em uma UTI de um hospital. Ele pediu que “os fãs ajudassem a divulgar a notícia”.
Nascida Dinahir Tostes Caymmi, em 29 de abril de 1941, Nana foi a primogênita de três filhos do casal formado pelo cantor e compositor Dorival Caymmi e pela cantora Stella Maris. O irmão Dori nasceu em 1943 e Danilo em 1948.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, lamentou a morte de Nana Caymmi, destacando a importância da cantora para a cultura brasileira e a sua admiração pelo talento e pela voz da artista. A ministra reconheceu Nana “como uma das maiores intérpretes do Brasil e valorizou a sua contribuição para a memória e a criatividade do país”.
Talento atravessou gerações
O governador do Rio, Cláudio Castro, disse que “o Brasil perde uma grande artista e o Rio de Janeiro uma filha ilustre. A música, uma voz que atravessou gerações. Nana Caymmi nos deixa, mas permanece viva em sua arte — intensa, elegante, verdadeira”.
O texto diz, ainda, que “filha de uma família que construiu a história da nossa música, ela trilhou seu próprio caminho com personalidade e talento raro. Seu canto continuará ecoando com a emoção que sempre nos tocou. Meus sentimentos aos familiares, amigos e admiradores dessa artista que tanto honrou a cultura brasileira”, disse o governador.
O cantor e compositor Djavan afirma disse em sua rede social que “o Brasil perde hoje uma das maiores cantoras, e eu, uma amiga. Descanse em paz, Nana querida. Vamos sentir muito sua falta. Sua voz continuará a tocar nossos corações”.
Outro que se manifestou sobre Nana foi Milton Nascimento. “Recebo com profunda tristeza a notícia da partida dessa grande amiga. Perder Nana Caymmi é perder parte da minha própria história. Recentemente, tenho escutado diariamente a nossa interpretação de Sentinela, [música] que muito me emociona. Nana estará para sempre em meu coração e memória. Descanse em paz, querida amiga”.
A cantora Maria Bethânia também comentou a morte da amiga: “Uma perda imensurável para a música brasileira. Descanse em paz, Nana Caymmi!”.
“A Nana foi uma das maiores cantoras do Brasil, sua voz e suas interpretações eram inconfundíveis, de uma originalidade rara de se encontrar. Sempre franca e direta, não escondia o que pensava. Uma triste perda para a nossa música”, escreveu Paulinho da Viola.
Carreira
Conhecida por suas interpretações sofisticadas e emotivas, Nana Caymmi deixou um legado importante para a música brasileira. Ela fez sua estreia como cantora em um disco do pai, com a música Acalanto, que Dorival Caymmi compôs em homenagem a ela quando criança.
Em 1966, Nana venceu a fase nacional do I Festival da Canção, no Maracanãzinho, interpretando Saveiros, de Dori Caymmi e Nelson Motta.
O poder da voz de Nana Caymmi foi reconhecido em 1976, quando ela recebeu o Troféu Villa-Lobos de Melhor Cantora do Ano, conferido pela Associação Brasileira de Produtores de Disco.
Seu álbum Resposta ao Tempo, de 1988, com a música homônima, de Aldir Blanc e Cristóvão Bastos, foi um de seus maiores sucessos.
Ao longo de sua carreira, Nana Caymmi foi indicada a quatro Grammys Latinos. Ela ganhou em sua primeira indicação, em 2004, pelo álbum Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo, na categoria de Melhor Álbum de Samba/Pagode.
*Com informações da Agência Brasil





