A esposa do funkeiro MC Poze do Rodo, Viviane Noronha, manifestou nas redes sociais indignação diante das críticas geradas após a divulgação do prontuário prisional do cantor, no qual ele declarou o Comando Vermelho (CV) como sua “ideologia”. A informação foi obtida e divulgada pela TV Globo com base em documentos da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro. Poze, cujo nome verdadeiro é Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, de 26 anos, está preso desde quinta-feira (29) sob investigação por associação ao tráfico e apologia ao crime.
“Ele é cria de uma comunidade, não tem culpa de o sistema ser dividido. Vocês, sendo cria de uma comunidade, escolheriam o quê?”, questionou Viviane em publicação no Instagram, onde possui mais de 2,3 milhões de seguidores. A influenciadora também ressaltou que o procedimento adotado pela Seap, ao direcionar o cantor para Bangu 3 — unidade onde ficam presos ligados ao Comando Vermelho — é padrão para todos os detentos e que o fato de Poze ser famoso tem gerado humilhações públicas injustas.
Prisão e declaração no sistema prisional
MC Poze foi detido em sua residência, localizada em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Após a prisão, ele foi encaminhado à Cidade da Polícia, no Jacarezinho, onde passou por audiência de custódia. A Justiça decretou sua prisão temporária por 30 dias. Conforme a Seap, durante os procedimentos de triagem, Poze afirmou “não ter problemas em conviver com a facção” Comando Vermelho, o que motivou sua custódia na unidade do complexo penitenciário de Gericinó destinada aos integrantes do grupo criminoso.
O prontuário prisional, documento padrão elaborado pela Seap para todos os detentos, inclui uma seção denominada “ideologia declarada”, em que o preso deve informar sua vinculação a facções criminosas. Entre as opções disponíveis estão Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP), Amigos dos Amigos (ADA), milícia, neutro, entre outras. O preenchimento dessa informação serve para a administração prisional distribuir os presos de modo a minimizar conflitos internos entre facções rivais.
Reação da esposa e contexto social
Em sua defesa pública, Viviane Noronha enfatizou a origem social do marido, destacando que sua ligação com a facção reflete uma realidade complexa e imposta a muitos jovens de comunidades carentes: “Marlon é cria de onde? Ele vai fazer o quê? Para onde mais ele iria? Isso acontece com todo mundo, mas o Marlon é famoso e está sendo humilhado”, escreveu. A influenciadora acompanhou pessoalmente toda a operação policial e, logo após a prisão, usou o Instagram para publicar fotos e vídeos familiares, além de uma mensagem curta e direta: “MC NÃO É BANDIDO”.
Viviane também é empresária e já esteve envolvida em investigações policiais, como na operação “Rifa Limpa” de novembro do ano passado, que apurava sorteios ilegais pela internet. Na ocasião, a casa do casal foi alvo de busca e apreensão, mas ela não foi presa. A operação buscava comprovar fraudes em sorteios que utilizavam parâmetros da Loteria Federal para aparentar legalidade, mas que tinham indícios de irregularidades.
Sistema prisional e facções
O caso de MC Poze do Rodo evidencia o desafio do sistema prisional em lidar com detentos vinculados a facções criminosas, especialmente quando envolvem figuras públicas. A divisão de presos por grupo ideológico é prática adotada para evitar confrontos violentos dentro das unidades, mas gera questionamentos quando expõe o detento à humilhação pública ou estigmatização.
A Seap explicou que a “ideologia declarada” é uma das informações utilizadas para definir o local de custódia e que Poze está recolhido na unidade destinada ao Comando Vermelho, sem apresentar resistência a essa convivência. A prisão temporária, com duração de 30 dias, foi mantida pela Justiça para garantir o andamento das investigações.





