Muito calor e muita chuva: extremos climáticos vão continuar em outubro   

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de perigo para nova onda de calor, que vai afetar, principalmente, o Centro-Oeste — as temperaturas na região podem ficar pelo menos 5ºC acima da média no período O que tem chamado mais a atenção dos meteorologistas é como o país tem passado, ao mesmo tempo, por diferentes…

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de perigo para nova onda de calor, que vai afetar, principalmente, o Centro-Oeste — as temperaturas na região podem ficar pelo menos 5ºC acima da média no período

O que tem chamado mais a atenção dos meteorologistas é como o país tem passado, ao mesmo tempo, por diferentes eventos climáticos. A Região Norte tem atravessado uma seca histórica, uma das piores da Amazônia; o Sul sofre com enchentes e chuvas torrenciais. E a nova onda de calor nos próximos dias na região Centro-Oeste do país.

Os termômetros devem subir até a próxima segunda-feira em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Rondônia, Pará.

Na última quinta-feira, Cuiabá, capital de Mato Grosso, registrou máxima de 44,2ºC, e a previsão é de que, nos próximos dias, as temperaturas fiquem ainda mais altas.

Essa escalada representa risco para a saúde da população, e medidas de prevenção devem ser tomadas, como ingestão de água e evitar exposição ao Sol entre as 10h e as 16h.

Francisco Eliseu Aquino, climatologista e chefe do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destaca que a principal causa dessa onda de calor é o aquecimento global e o fenômeno El Niño, responsável pelo aquecimento das águas do Pacífico.

– O El Niño impõe menor precipitação, a região fica mais seca e a temperatura aumenta. Então, essa onda de calor tem influência antropogênica das mudanças climáticas, causadas pelo homem, e uma combinação com o El Niño – explica Francisco.

Os níveis dos rios na Amazônia atingiram mínimas preocupantes. A seca na Região Norte afeta, em especial, as comunidades ribeirinhas e a fauna, com a morte de dezenas de botos.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o rio Amazonas atingiu a maior seca registrada na Ilha de Parintins, no estado do Amazonas. Essa é a pior estiagem da cidade em 49 anos de medição.

Além da Ilha de Parintins, outros seis municípios estão em situação de emergência. São eles: Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Maués, Nhamundá, São Sebastião do Uatumã e Urucará.

Isabel Vitorino, professora da Faculdade de Meteorologia, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destaca que a seca registrou níveis mais críticos em setembro e outubro, quando o fenômeno climático El Niño teve maior incidência, mas é esperada redução na sua ocorrência nos próximos meses.

– Se o El Niño continuar enfraquecendo, mesmo que não desapareça até dezembro, nós podemos ter algumas chuvas. Ele já tem enfraquecido, e isso tem apresentado ocorrência de chuva, por exemplo, em Belém [PA]. Nós temos a ocorrência de chuvas de 20 a 30 milímetros à tarde, e o normal para esta época é 60 milímetros – destaca Isabel.

O estado do Paraná e partes de Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram acúmulos de chuva acima da média para outubro. Esse fenômeno provoca alagamento de estradas, deslizamentos de terra e enchentes em diversos municípios.

Santa Catarina, por exemplo, tem 133 municípios em situação de emergência devido às fortes chuvas. A Defesa Civil estadual alerta para alto risco de deslizamento e inundações dos rios Uruguai e Chapecó.

As cidades catarinenses contabilizam estragos. As fortes chuvas deixaram seis mortos e dezenas de desabrigados. Na última terça-feira (17), os ventos em Chapecó chegaram a 100 km/h, de acordo com o monitoramento local.

Gustavo Baptista, do Instituto de Geociências, da Universidade de Brasília (UnB), salienta que esses eventos climáticos extremos nas regiões Norte e Sul ocorrem por influência do super El Niño.

– Quando a gente tem um fenômeno El Niño, a gente experimenta secas no Norte e no Nordeste e chuvas no Sul e no Sudeste. E, como é um evento extremo, a seca é extrema na Região Norte, e as chuvas, também intensas, porque se associam a ciclones extratropicais que surgem por causa de aquecimento anômalo que o Atlântico está experimentando – explica Gustavo. – O El Niño extremo está associado a um aquecimento do Atlântico, que gera impactos mais significativos. E tanto o El Niño extremo como esse Atlântico aquecido decorrem de mudanças climáticas – completa o professor da UnB.

Com informações do Metrópoles.

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