Mudança na defesa de Vorcaro reforça possibilidade de delação premiada

Troca na equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro ocorre após decisão do STF que manteve sua prisão e levanta expectativa de eventual colaboração com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República no inquérito sobre fraudes no Banco Master

A troca de advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no inquérito que apura fraudes no Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser interpretada nos bastidores jurídicos como um possível indicativo de negociação para um acordo de delação premiada.

A mudança na defesa foi oficializada nesta sexta-feira (13), depois que a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a prisão do empresário. Por três votos a zero, os ministros decidiram que Vorcaro continuará detido na Penitenciária Federal em Brasília por tempo indeterminado enquanto prosseguem as investigações.

A equipe que atuava anteriormente na defesa, liderada pelo advogado Pierpaolo Bottini, deixou o caso. Conhecido por críticas públicas ao uso de acordos de colaboração premiada, Bottini foi substituído pelo criminalista José Luis Oliveira, profissional com histórico de atuação em negociações desse tipo.

Novo advogado tem histórico em acordos de colaboração

A escolha do novo defensor chamou atenção porque Oliveira já participou da estruturação de diversos acordos de delação premiada em investigações de grande repercussão. Entre eles está o acordo firmado pelo ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, um dos delatores da Operação Lava Jato.

O advogado também atuou em outras defesas de destaque no país, incluindo a do general Walter Braga Netto no processo que investiga uma suposta trama golpista e a do ex-ministro José Dirceu, condenado no processo do mensalão.

Nos meios jurídicos, a substituição da banca defensiva costuma ser vista como um movimento estratégico quando investigados passam a avaliar a possibilidade de colaborar com autoridades em troca de benefícios legais.

STF mantém prisão do banqueiro

A decisão que manteve Vorcaro preso foi tomada em julgamento virtual da Segunda Turma do STF. Até o momento, três ministros votaram pela manutenção da prisão. O julgamento segue aberto e está previsto para terminar na próxima sexta-feira (20), restando ainda o voto do ministro Gilmar Mendes.

Enquanto o processo continua em análise no Supremo, a eventual negociação de um acordo de colaboração dependerá de tratativas com a Polícia Federal ou com a Procuradoria-Geral da República, responsáveis pela condução das investigações.

A troca de advogado, no entanto, já é vista como um sinal de que a estratégia de defesa do banqueiro pode ter mudado, abrindo espaço para um novo capítulo no caso que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master.

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