O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) intensificou sua ofensiva de ocupações nesta segunda-feira, com protestos em sedes do Incra em 12 estados.
Desde o início do mês, o grupo se estabeleceu em pelo menos nove propriedades rurais, sendo oito terrenos em Pernambuco e um no Espírito Santo. As ações, que estão sendo chamadas de “abril vermelho”, pressionam ainda mais o governo Lula, que não quer se indispor com parte de sua base eleitoral e nem desagradar grupos ruralistas.
Nesta segunda-feira, com o início do que o movimento chamou de Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, cerca de 200 famílias ocuparam uma propriedade de 11 mil hectares em Aracruz, no Espírito Santo.
O local é usado para plantação de eucalipto para a confecção de celulose. O MST alega que as terras pertencem ao Governo do Estado do Espírito Santo e foram griladas pela empresa Aracruz Celulose, empresa adquirida pela Suzano Papel e Celulose.
Em nota à TV Globo, a Suzano Celulose afirmou que foi surpreendida com a invasão por parte do MST “mesmo em um contexto de diálogo” e disse que cumpre integralmente as legislações ambientais.
Horas depois da invasão, a Justiça determinou a reintegração de posse da propriedade. Segundo a decisão, a empresa é a proprietária legítima e dona do imóvel. Essa foi a quarta fazenda da empresa invadida pelo MST, que em março ocupou outras três áreas produtivas da Suzano Papel e Celulose no sul da Bahia.
Neste fim de semana, o MST chegou ao total de oito propriedades rurais ocupadas no estado de Pernambuco.
As ofensivas no estado começaram no dia 3 de abril, com a ocupação de 800 hectares de três engenhos no município de Timbaúba. Segundo o grupo, as ações do mês de abril tem como objetivo lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás/PA, quando 21 trabalhadores rurais foram mortos, há 27 anos.
O grupo também promoveu ações coordenadas nas superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Rio Grande do Norte, Ceará, Sergipe, Paraíba, Brasília, Mato Grosso, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Maranhão.
Em Belo Horizonte (MG), São Luis (MA), Fortaleza (PE) e Natal (RN) houve invasões nas dependências dos prédios. Já em Porto Alegre (RS), foi montada uma vigília no pátio do Instituto.
Segundo o MST, as ocupações tinham como objetivo entregar documentos e pedidos de abertura de negociações, mas sem carácter de permanência. Todos os imóveis foram desocupados no decorrer do dia.
O ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, se reuniu na tarde desta segunda-feira, com representantes do MST e do Incra e pediu a desocupação das áreas invadidas. Segundo ele, só assim o governo vai continuar a conversar com os trabalhadores ruais.
Na última semana, trabalhadores rurais vinculados a diferentes movimentos sociais já haviam ocupado a sede do Incra em Alagoas pedindo a saída de Wilson César de Lira Santos — primo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) — do posto de superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas.
Segundo o grupo, estão sendo realizadas negociações com a mediação do Ministério da Agricultura para a solução do impasse, assim como nas demais superintendências em que as autarquia são controladas por quatros dos governos anteriores.
As informações são do Globo online.





