MPSC cria força-tarefa para analisar mil horas de vídeos do caso Cão Orelha

Grupo técnico vai examinar imagens quadro a quadro e dados de celulares; investigação sobre morte do animal segue sob sigilo e tem prazo de 30 dias

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) instaurou uma força-tarefa técnica para aprofundar a análise das provas reunidas na investigação sobre a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. A nova etapa do inquérito envolve a revisão detalhada de mais de mil horas de gravações e dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos.

O grupo foi formalizado após reunião realizada na sede da Procuradoria-Geral de Justiça do MPSC, na segunda-feira (2). A medida reforça a atuação das 10ª e 2ª Promotorias de Justiça da Capital, responsáveis pela condução do procedimento investigatório.

Ao todo, o Ministério Público requisitou 35 novas diligências à Polícia Civil de Santa Catarina, incluindo a exumação do corpo do animal. A corporação ainda acrescentou outras 15 providências complementares, elevando para 50 o número de medidas incorporadas ao inquérito.

Análise quadro a quadro e varredura digital

O volume de material considerado relevante pelas autoridades inclui mais de mil horas de vídeos e um conjunto robusto de dados digitais. Segundo o MPSC, as imagens serão examinadas quadro a quadro, enquanto os conteúdos extraídos dos celulares passarão por varredura técnica minuciosa.

A investigação tramita sob sigilo. A força-tarefa recém-criada atuará como suporte técnico às promotorias, diante da complexidade e da quantidade expressiva de informações reunidas.

Há suspeita de que o cão tenha sido vítima de maus-tratos. Adolescentes figuram como principais suspeitos da agressão fatal, o que enquadra o caso nas normas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Polícia Civil já solicitou à Justiça a internação provisória de um dos jovens, medida equivalente à prisão no sistema penal adulto.

Prazo de 30 dias para nova conclusão

Com a chegada das novas provas, o Ministério Público terá prazo de 30 dias para concluir essa fase da apuração. Em nota oficial, o órgão afirmou que a meta é assegurar a completa elucidação dos fatos, com rigor técnico e respeito ao devido processo legal.

O caso ganhou ampla repercussão após a morte do animal na Praia Brava, em Florianópolis. A exumação ocorreu em 11 de fevereiro, pouco mais de um mês após o ocorrido.

O laudo elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina não apontou a causa da morte do cão, mas também não descartou a possibilidade de trauma cranioencefálico.

Laudo descarta fraturas e nega versão de prego

De acordo com os peritos, os restos mortais já estavam em fase de esqueletização, o que dificultou a determinação precisa da causa da morte. Não foram identificadas fraturas ou lesões ósseas que indicassem ação humana direta.

O documento ressalta, entretanto, que a ausência de fraturas não exclui a ocorrência de trauma craniano, uma vez que esse tipo de lesão nem sempre provoca danos ósseos visíveis.

O laudo também afastou a hipótese divulgada nas redes sociais de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal. Segundo os peritos, não há qualquer vestígio que sustente essa versão.

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