O ex-policial militar Gilmar Enéas Lisboa, preso por seguir os passos de Fernando Iggnácio antes de sua execução, começou a monitorar o bicheiro pelo menos oito meses antes do assassinato. As informações constam em investigações do Ministério Público do Rio (MPRJ).
Lisboa teria enviado vídeos da casa de veraneio de Iggnácio, na Ilha Grande, em Angra dos Reis, a Márcio Araújo de Souza — apontado como quem contratou os executores do crime. Iggnácio foi morto a tiros de fuzil em novembro de 2020, no estacionamento de um heliponto no Recreio, na Zona Oeste do Rio, ao voltar da casa monitorada.
O contraventor Rogério Andrade, rival de Iggnácio, é acusado de ser o mandante e responde ao processo preso em um presídio federal. A defesa nega qualquer envolvimento. No processo, apenas Andrade e Lisboa foram denunciados.
Márcio Araújo responde em liberdade, com tornozeleira eletrônica, e está proibido de deixar o país. Ele foi reconduzido à PM após deixar a cadeia por decisão do STF e foi vítima de um atentado em 2023, que segue sem solução.
Segundo o MPRJ, Lisboa usava o codinome “Tribidi” e passava informações detalhadas sobre a rotina e segurança de Iggnácio. O bicheiro era tratado como “Cabeludo” nas mensagens trocadas com Araújo. As gravações, diz o MP, mostravam entradas da casa, movimentação de seguranças e pontos estratégicos.
A defesa de Araújo afirma que ele é inocente e aguarda perícia em equipamentos eletrônicos. A de Lisboa não se manifestou até a publicação.





