O estado do Rio de Janeiro confirmou 17 casos de Mpox em 2026, segundo dados atualizados da Secretaria de Estado de Saúde até quarta-feira (4). A maior parte das infecções foi registrada na capital, que concentra 14 diagnósticos, enquanto os demais ocorreram em outros municípios. Até o momento, não há registro de mortes relacionadas à doença.
O cenário é acompanhado pelas autoridades de saúde. No mesmo período do ano passado, haviam sido confirmados 19 casos de Mpox no Rio, também sem óbitos.
“Após a passagem de grandes eventos, como Réveillon, Carnaval, é esperado o aparecimento de enfermidades provocadas pela aglomeração de pessoas”, avalia Mário Sérgio Ribeiro, subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES).
Em nível nacional, o Ministério da Saúde aponta que o Brasil já registrou 90 casos da doença em 2026. Ao longo de 2025, o país contabilizou 1.079 casos confirmados e duas mortes, números que refletem a circulação do vírus após o surto global que ganhou destaque em 2022. Naquela época, em um único mês, a cidade do Rio chegou a 351 pessoas infectadas.
A Mpox é considerada pelas autoridades de saúde uma doença que pode ser transmitida também por contato íntimo durante relações sexuais, o que faz com que muitos especialistas a classifiquem, na prática, dentro do grupo das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
“É uma doença que a gente monitora, que tem um risco muito alto. [Os pacientes] são homens, jovens, com vida sexualmente ativa e com uma história de contágio muitas vezes ligada à transmissão sexual. Então, a gente já pode considerar a Mpox como uma doença também de transmissão sexual, uma IST”, explica o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.
Embora os números atuais estejam longe dos registrados nos últimos anos, especialistas ouvidos por Agenda do Poder alertam que a presença contínua de casos exige vigilância e informação, já que o vírus ainda circula e pode voltar a se espalhar se não houver diagnóstico e prevenção adequados.
O que é a Mpox?
A Mpox é uma doença viral causada pelo vírus monkeypox, pertencente à mesma família da varíola.
Segundo o infectologista Marcos Junqueira do Lago, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), a enfermidade era historicamente mais comum em países da África, onde circulava de forma endêmica e, na maioria dos casos, apresentava quadros de gravidade leve a moderada.
“Esse vírus, já antigo, sofreu uma pequena alteração que permitiu a transmissão de pessoa para pessoa ser mais fácil. Trouxe para o ocidente, onde ninguém tem imunidade, e se espalhou em vários países.”
Marcos Junqueira, infectologista
A infecção geralmente provoca sintomas semelhantes aos de outras doenças virais, mas com uma característica marcante: o surgimento de lesões na pele.
“A monkeypox se comporta um pouco parecida com a catapora, ela faz vesículas. Uma pintinha vermelha, que chamamos de pápula, e vira uma bolha pequena. Essa bolha, com um tempo, seca e cria uma casca. Quando essa crosta cai, acaba a lesão. A doença contamina até a hora que vira casca, daí em diante, quando todas estão secas, já não está mais contaminando”, detalha Junqueira.

Ele explica ainda como diferenciar uma doença da outra: “A catapora hoje é uma doença pouco frequente porque temos a vacina. Temos poucas espalhadas. E ela se espalha pelo corpo todo, muito característico. A Mpox não, são bolhas localizadas, geralmente na região genital ou no local onde teve o contato mais intenso com o paciente infectado”.
Os sintomas mais comuns incluem:
- febre
- dor de cabeça
- cansaço
- aumento dos gânglios (ínguas)
- dores no corpo
- lesões ou erupções cutâneas
Todos os pacientes com a doença na capital são homens, com idades entre 18 a 39 anos.
“Os casos são pontuais, todos eles monitorados, mas sempre tem o alerta. Quando a gente tem um caso circulando na sociedade, temos que prestar muita atenção em relação a ele. Todos esses pacientes evoluíram positivamente, sem necessidade de maiores tratamentos”, afirma Soranz.

Como acontece a transmissão
A transmissão ocorre principalmente por contato próximo com uma pessoa infectada. De acordo com as autoridades de saúde, o vírus pode ser transmitido por:
- contato direto com lesões de pele
- contato com fluidos corporais
- gotículas respiratórias em contato próximo
- objetos contaminados, como toalhas e roupas de cama
“O vírus é transmitido, principalmente, por contato pessoal prolongado, com lesões de pele, fluídos corporais de uma pessoa infectada ou com objetos contaminados. É fundamental procurar uma unidade de saúde para atendimento médico”, enumera Ribeiro.
“Geralmente, ela dura de uma a três semanas, e depois evolui para a cura espontânea”, completa Junqueira.
Também há possibilidade de transmissão por animais silvestres infectados, especialmente roedores.
Período de incubação
O intervalo entre o contato com o vírus e o aparecimento dos primeiros sintomas costuma variar. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, o período de incubação normalmente é de 3 a 16 dias, podendo chegar a até 21 dias.

Durante esse período, a pessoa pode não apresentar sintomas. O diagnóstico é realizado por exames laboratoriais, principalmente por teste molecular ou sequenciamento genético. A confirmação depende da coleta de material das lesões ou de outras amostras clínicas para análise em laboratório.
“Quando a unidade básica de saúde faz o diagnóstico, monitora as pessoas em volta daquela pessoa contaminada, uma vez que o contato próximo é o que leva a contaminação”, reforça o professor.
Segundo ele, os quadros mais graves da doença tendem a ocorrer principalmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com HIV sem tratamento adequado, transplantados ou pessoas em tratamento contra o câncer.
Tratamento
De acordo com as autoridades de saúde, não há tratamento específico para eliminar o vírus. O cuidado é baseado em suporte clínico, com medidas para aliviar sintomas e evitar complicações.
“Quando você tem uma forma muito grave da doença, paciente que chega a ser internado, além dos tratamentos, tenta se utilizar alguns remédios para vírus, que usamos para outra doença”, explica Junqueira.
Como reforçado pelos especialistas, a maioria dos pacientes apresenta quadros leves ou moderados, com recuperação ao longo das semanas. Mesmo assim, a orientação das autoridades de saúde é procurar uma unidade médica em caso de sintomas suspeitos.
“A gente está vendo o surto de Mpox em outros países do mundo, principalmente na África. Alguns países chegaram a ter 500 óbitos por Mpox em um único ano. Então, é uma situação que merece muita atenção. E tem que se planejar como vacinar esse grupo que é mais exposto e tem mais risco de ter a doença.”
Daniel Soranz, secretário municipal de Saúde
Além da capital, há ainda casos em Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Queimados.
Existe vacina?
A vacina contra a Mpox não está disponível para a população em geral. A imunização é direcionada a grupos considerados prioritários, como:
- pessoas vivendo com HIV com imunidade baixa (CD4 abaixo de 200);
- pessoas em uso de PrEP;
- trabalhadores de laboratório que manipulam o vírus;
- pessoas com exposição comprovada ao vírus (vacinação pós-exposição).
Cuidados
Diante do registro de casos, especialistas reforçam a importância de manter alguns cuidados para reduzir o risco de transmissão.
Evitar contato direto com lesões na pele de pessoas com suspeita da doença, não compartilhar objetos pessoais e procurar atendimento médico ao apresentar sintomas suspeitos são medidas fundamentais.
Em situações de contato íntimo, o uso de preservativo e a atenção a qualquer alteração na pele também ajudam a diminuir o risco de contágio. A orientação das autoridades de saúde é que, diante de dúvidas ou sinais da doença, a população procure uma unidade de saúde para avaliação.
Clique aqui e confira a clínica da família mais próxima de você.


Deixe um comentário