Há novos indicios da participação da ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro na lavagem de dinheiro do suposto esquema da rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro. Segundo reportagem do Jornal Nacional, testemunhas denunciam o envolvimento de empresas de Ana Cristina Valle também em fraudes no seguro obrigatório, o DPVAT.
Ana Cristina Valle era casada com Jair Bolsonaro quando foi trabalhar com o enteado, o vereador Carlos Bolsonaro. Ela foi a primeira chefe de gabinete de Carlos, em 2001, no primeiro mandato, e ficou até abril de 2008, meses depois de se separar do presidente da República.
Os registros no Tribunal de Justiça do Rio mostram que, nos últimos três anos em que esteve no gabinete, Ana Cristina também atuava como advogada. Ela teve um escritório de advocacia e duas empresas de seguro.
As empresas funcionavam em um prédio que fica a poucos metros da Câmara de Vereadores.
Muitos servidores do gabinete de Carlos foram indicados por Ana Cristina e eram parentes dela. Os investigadores dizem que a elevada movimentação de dinheiro vivo por Ana Cristina sugere que ela era a real destinatária dos recursos públicos desembolsados em nome dos parentes.
Os promotores suspeitam que esses funcionários continuaram a pagar a rachadinha mesmo depois que ela deixou o gabinete e que Ana Cristina usava as próprias empresas para lavar o dinheiro.
Pelos registros da Câmara, as pessoas ligadas a ela ganharam, ao todo, R$ 5,4 milhões só no período em que Ana Cristina não era mais chefe de gabinete.
O Coaf registrou que as contas bancárias de quatro empresas vinculadas a Ana Cristina realizaram movimentações financeiras suspeitas.
O MP encontrou dezenas de processos em que a ex-madrasta de Carlos Bolsonaro e ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro trabalhava como advogada em casos de indenizações de acidente de trânsito – o seguro DPVAT.
Uma consulta ao site do Tribunal de Justiça do Rio mostra que Ana Cristina Valle atuou em 56 processos cíveis de 2007 a 2010, 54 envolvem DPVAT.
Apesar de o escritório dela ficar no Rio de Janeiro, 37 casos eram de moradores do Rio Grande do Sul.
Há fortes suspeitas, relatadas por algumas vítimas, de que o escritório da advogada participava ou chefiava um esquema pelo qual recebia o seguro e não repasse integralmente os valores aos legítimos beneficiários.
O JN conversou com um ex-assessor de Ana Cristina Valle que trabalhou com ela durante os últimos 14 anos. Marcelo Luís falou por telefone e afirmou que o calote na família das vítimas fazia parte de um esquema de lavagem de dinheiro que tinha a participação de Ana Cristina Valle.
Marcelo Luís conta que Ana Cristina Valle – investigada por ser a operadora financeira da rachadinha de Carlos Bolsonaro – era quem financiava o esquema.
Marcelo Luís diz que Ana Cristina dava o dinheiro para as primeiras despesas da família da vítima e adiantava o pagamento de uma parte do seguro. Os parentes davam uma procuração autorizando dar entrada no pedido do DPVAT e até sacar o valor.
Quando a seguradora pagava, ele diz que uma parte ficava retida para os integrantes do esquema e outra voltava limpa para os escritórios de Ana Cristina Valle.






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