Após um casal ter sido agredido e humilhado por seguranças de uma loja da rede Carrefour em Salvador, a multinacional foi cobrada por órgãos da Defensoria Pública e Ministério Público a prestar explicações, nesta segunda (8). O ofício foi assinado pela Defensoria Pública da União e a do Rio Grande do Sul, o Ministério Público Federal e o do Rio Grande do Sul e o Ministério Público do Trabalho. Todos eles assinaram um Termo de Ajuste e Conduta (TAC) em 2020, depois do assassinato de João Alberto Freitas no estacionamento de um mercado do grupo em Porto Alegre. A Educafro, outra entidade que participou do TAC, disse que estuda entrar com uma ação judicial.
Um ofício já foi enviado ao Carrefour com o pedido de explicações sobre o que exatamente ocorreu na loja de Salvador, e quais medidas serão tomadas. O TAC assinado em 2020 previa investimentos de R$115 milhões do Carrefour em ações de combate ao racismo, incluindo campanhas de conscientização para funcionários e bolsas de estudo para alunos negros.
A medida é extrajudicial e, inclusive, evitou que um processo fosse levado ao tribunal. Além disso, na época foi anunciada a criação, pelo Carrefour, de um comitê independente de diversidade e inclusão. Uma das exigências do TAC é a expansão da internalização dos serviços de vigia nas lojas da multinacional. Ou seja, não usaria mais serviços terceirizados e, assim, faria contratações diretas de porteiros e vigias, funcionários que podem revistar uma pessoa após furto, mas que não têm porte de arma. Esse pedido foi feito para garantir um controle maior sobre os funcionários e a qualidade do serviço.
Neste final de semana, as cenas de um casal de negros sendo questionados e agredidos por supostos seguranças de uma loja de Salvador viralizaram. Num vídeo feito pelos próprios agressores, a mulher, que recebeu um tapa na cara, mostra uma sacola com pacotes de leite em pó e disse que pegou os produtos porque sua filha “estava precisando”. Após o compartilhamento das imagens, a Polícia Civil da Bahia passou a investigar o caso, e o Carrefour informou que a equipe de prevenção – segurança – da loja foi demitida e que um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil para apuração dos fatos.
A ONG Educafro Brasil, outra entidade que assinou o TAC de 2020 e acompanha o cumprimento das ações, também se manifestou sobre o caso. A Educafro, que é presidida por Frei David, repudiou as agressões e destacou que o episódio de agora lembra o ocorrido de 2020, em Porto Alegre. A ONG acionou sua equipe jurídica e disse que estuda tomar medidas judiciais e “buscar a responsabilização coletiva”.
Com informações do GLOBO.
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