A Justiça de São Paulo determinou nesta sexta-feira (30) a soltura de Igor Ferreira Sauceda, empresário acusado de atropelar e matar o motoboy Pedro Kaique Ventura Figueiredo, de 21 anos, na zona sul da capital paulista em julho de 2024. A informação é da Folha de S.Paulo. A decisão é assinada pela juíza Isabel Begalli Rodriguez, da 3ª Vara do Júri, que estabeleceu uma série de medidas cautelares em substituição à prisão preventiva, que durava dez meses.
O caso teve ampla repercussão à época, especialmente pelas circunstâncias do atropelamento. Sauceda dirigia um Porsche amarelo na avenida Interlagos quando perseguiu o motoboy após este, segundo ele, ter quebrado o retrovisor do carro com um chute. Pouco depois, Figueiredo foi atingido pelo carro e morreu no hospital. A versão do motorista é de que tentou desviar, mas não conseguiu evitar a colisão.
A juíza afirmou, em sua decisão, que não se sustentaram as alegações iniciais de que Sauceda teria histórico de comportamento ameaçador ou que usava o veículo para intimidar outras pessoas. “Nenhuma das testemunhas ouvidas em Juízo deu conta de ter sido intimidada ou ameaçada pelo réu ou por pessoas de seu convívio”, escreveu Rodriguez. O inquérito que investigava supostas ameaças anteriores foi arquivado.
Segundo magistrada, empresário colaborou com investigações
Segundo a magistrada, Sauceda permaneceu no local do acidente, prestou depoimento e colaborou com as investigações. A juíza também criticou a morosidade do Estado em liberar os veículos envolvidos para perícia, apontando que a defesa sequer teve acesso à moto de Figueiredo — que, inclusive, foi devolvida à família sem autorização judicial.
Rodriguez determinou que, em liberdade, o empresário deverá comparecer mensalmente à Justiça, está proibido de deixar a cidade por mais de oito dias e de sair do país, terá a Carteira Nacional de Habilitação suspensa e deverá usar tornozeleira eletrônica.
Retrovisor quebrado teria iniciado perseguição ao motoboy
No momento do atropelamento, conforme o boletim de ocorrência, Sauceda e a namorada retornavam do trabalho quando tiveram o retrovisor esquerdo do carro danificado pelo motoboy. Ele então passou a seguir o motociclista. De acordo com o relato do empresário à polícia, Figueiredo mudou bruscamente de faixa e entrou na frente do veículo. Sauceda alegou que tentou desviar, mas não conseguiu evitar o impacto. O Porsche ainda colidiu com uma árvore e um poste. A passageira sofreu cortes nas mãos devido aos estilhaços.
Ainda no local, Sauceda fez o teste do bafômetro, que deu negativo, e foi preso em flagrante no 48º Distrito Policial (Cidade Dutra). Seu advogado, Carlos Bobadilla, declarou na época que o episódio foi uma “fatalidade”: “O Igor estava voltando para casa com a namorada, não havia ingerido qualquer bebida alcoólica ou entorpecente e, infelizmente, aconteceu essa fatalidade. Ele não fez absolutamente nada de errado que pudesse legitimar a conduta de homicídio doloso conforme o delegado colocou.”
Apesar da liberdade provisória, o processo por homicídio segue em andamento.





