Morre Rosvita Saueressig, fundadora do Coojornal e defensora do jornalismo independente

O jornalismo brasileiro perdeu esta semana uma grande profissional, admirada por colegas e respeitada pelos seus leitores. Morreu Rosvita Saueressig, que trabalhou em praticamente todas as redações importantes do país e foi fundadora do Coojornal, uma das maiores experiências da imprensa alternativa durante a ditadura militar. Em 1981, por causa de uma reportagem publicada no…

O jornalismo brasileiro perdeu esta semana uma grande profissional, admirada por colegas e respeitada pelos seus leitores. Morreu Rosvita Saueressig, que trabalhou em praticamente todas as redações importantes do país e foi fundadora do Coojornal, uma das maiores experiências da imprensa alternativa durante a ditadura militar.

Em 1981, por causa de uma reportagem publicada no Coojornal, que envolvia o combate do Exército à guerrilha do Araguaia, Rosvita ficou detida no Presídio Estadual Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre.

“Ela era uma pessoa ética e tinha desejo de ajudar. Era feminista sem ser piegas ou se promover com o movimento. Ela dizia que a gente tem que ajudar as pessoas porque somos seres sociais, não para se promover. Aprendeu com a nossa mãe e passou isso aos filhos”, relata Carla Saueressig, 63, sua irmã.

Rosvita foi chefe de reportagem da TVE, assessora do jornalista Ruy Carlos Ostermann —deputado estadual entre 1982 e 1986— e atuou na direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul.

Em Brasília, foi assessora de Pedro Simon, ministro da Agricultura no início do governo José Sarney, trabalhou na EBN (Empresa Brasileira de Notícias) —atual EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) — e chefiou a redação da Gazeta Mercantil em Brasília, cargo que manteve na sucursal de São Paulo.

Natural de Sapiranga (RS), Rosvita gostava de animais, de cozinhar, de vinhos e cerveja, de cinema, de teatro e de música brasileira e erudita. Era alucinada por jornais e livros.

“Ela lia de três a quatro livros por semana e os doava”, diz Carla. Fez o mesmo com o dinheiro que ganhava ao ministrar palestras em São Paulo.

Rosvita morreu aos 71 anos. Havia um ano que estava internada em decorrência de problemas de saúde. Permaneceu lúcida até o último instante. Deixa o marido, dois filhos e dois netos.

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