O cantor jamaicano Max Romeo morreu na sexta-feira (11), aos 80 anos, em decorrência de problemas cardíacos. A informação foi confirmada pelo jornal Jamaica Observer. Nascido como Maxwell Smith, Romeo é reconhecido como um dos maiores nomes do roots reggae, com uma trajetória marcada por ativismo político, polêmicas, batalhas judiciais e canções eternizadas na história da música.
Romeo deixou a casa ainda aos 14 anos, quando foi trabalhar em uma plantação de açúcar. Aos 18, mudou-se para Kingston, capital da Jamaica, em busca do sonho de viver da música. A notoriedade veio com a provocativa “Wet Dream”, música lançada no fim dos anos 1960 que, apesar de banida pela BBC por conter letras sexualmente explícitas, alcançou o Top 10 nas paradas do Reino Unido.
A consagração como artista veio nos anos 1970, quando Max Romeo se consolidou como um dos pilares do roots reggae ao lado do lendário produtor Lee “Scratch” Perry. O disco War Ina Babylon, lançado em 1976, é considerado uma obra-prima do gênero. A faixa “Chase the Devil”, presente no álbum, ultrapassou as fronteiras do reggae e foi sampleada por artistas como Jay-Z, no hit “Lucifer”, e pela banda The Prodigy.
Além da música, Romeo também teve papel relevante na política jamaicana. Sua canção “Let the Power Fall” foi escolhida como hino oficial do Partido Nacional do Povo (PNP) nas eleições gerais de 1972, tornando-se símbolo de uma geração que buscava mudanças sociais e políticas na ilha caribenha.
Mesmo em idade avançada, Max Romeo seguiu ativo no cenário musical, inclusive em parcerias com seus filhos. Nos últimos anos, envolveu-se em disputas judiciais por direitos autorais e royalties. Em 2023, moveu um processo de US$ 15 milhões contra a Universal Music Group e a Polygram Publishing, alegando não ter recebido os valores devidos ao longo de quase cinco décadas.
Esse litígio reacendeu o debate sobre reconhecimento e justiça para os pioneiros do reggae, que muitas vezes viram suas criações ganharem o mundo sem o devido retorno financeiro.
Max Romeo deixa como legado uma carreira marcada por ousadia, crítica social e uma sonoridade que ajudou a moldar o reggae como movimento cultural global. Sua voz e suas canções seguem vivas na memória de gerações.
Com informações do g1.





