O comentarista esportivo Adroaldo Guerra Filho, conhecido como Guerrinha, morreu nesta quarta-feira (28), aos 70 anos, informa o portal g1. Figura icônica da cobertura de esporte da Rádio Gaúcha, ele estava internado no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, em razão de uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.
Com uma trajetória de quase cinco décadas nas redações e 27 anos de atuação no rádio, Guerrinha construiu uma carreira marcada pelo humor, pela versatilidade e pela facilidade de transformar observações em frases de efeito. Nos estúdios e nos corredores, também era conhecido pelas histórias que contava e pela risada característica.
O jornalista deixa a esposa, Kátia, as filhas Michelle e Karine e três netos.
Ligação com o rádio começou na infância
Filho da funcionária pública Ieda e do rádio-ator e comunicador Adroaldo Guerra, Guerrinha cresceu próximo ao ambiente da comunicação. Seu pai ficou conhecido como Vovô Guerra, nome associado ao programa infantil que apresentava na Rádio Gaúcha.
Ao recordar essa convivência, o comentarista relatou como a identificação com o pai o acompanhava nas visitas à redação:
“Meu pai foi artista, meu pai fazia novela e ficou conhecido como vovô Guerra pela festa com as criancinhas. Eu entrava na redação e diziam que eu era o filho do vovô.”
Apesar da proximidade com os microfones desde cedo e da admiração pela carreira artística do pai, Guerrinha não imaginava que também construiria uma trajetória de destaque no rádio. Sua entrada no jornalismo ocorreu pela escrita, atividade que manteve ao longo da vida profissional.
Turfe abriu caminho no jornalismo
Outra herança paterna foi o interesse pelas corridas de cavalos. A convivência nos hipódromos forneceu histórias, aproximou Guerrinha de personagens do turfe e abriu as portas para seus primeiros trabalhos.
Ainda estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), publicou seus primeiros textos no Jornal Hoje, periódico lançado pela RBS na década de 1970 que teve curta duração.
Depois, passou a acompanhar o cotidiano do Jockey Club para a Folha da Manhã e, posteriormente, para o Correio do Povo. Os dois jornais pertenciam à Caldas Júnior.
Naquele período, o turfe tinha espaço expressivo nas publicações, com uma página diária dedicada às provas. A modalidade também estava entre os interesses de Breno Caldas, proprietário da empresa.
Do hipódromo à cobertura do Inter
Guerrinha voltou ao Grupo RBS em 1983, a convite de Emmanuel Mattos, para escrever sobre turfe em Zero Hora. Embora conhecesse profundamente o assunto, costumava atribuir a oportunidade à falta de interessados em assumir aquela cobertura.
Com o passar dos anos, o espaço destinado às corridas de cavalos foi reduzido. Em 1993, quando o jornal encerrou a cobertura da modalidade, o jornalista mudou de área e passou a acompanhar o Internacional.
A transição levou seu olhar e seu estilo para o futebol, tema que ampliaria sua presença no jornalismo esportivo gaúcho e marcaria sua atuação como comentarista.
Grupo RBS emite nota de pesar
“Com profundo pesar, comunicamos o falecimento do colega Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, aos 70 anos, em decorrência de uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.
Um dos mais celebrados comentaristas esportivos do Rio Grande do Sul, o comunicador era uma referência dentro e fora da RBS, tendo o bom humor como uma de suas marcas.
Guerrinha começou sua carreira na comunicação no mundo das corridas de cavalo, com passagem pelo extinto Jornal Hoje, da RBS, Folha da Manhã e Correio do Povo. Em 1983, retornou à empresa para escrever sobre o tema em Zero Hora.
Dez anos depois, migrou para a cobertura de futebol, com foco no Internacional, seu time do coração. Ganhou os microfones da Gaúcha em 1999 e, no ano seguinte, estreou a coluna Guerra Total, no Diário Gaúcho.
Sua história com o Sala de Redação começou em 2004, quando foi convocado a cobrir as férias de Kenny Braga. Guerrinha sentou-se na bancada do mais tradicional programa de esporte do Estado para não sair mais: tornou-se um dos participantes queridos da audiência. Fez história com suas frases de efeito e conquistou colorados e gremistas com seu carisma, ampliando alcance e popularidade por meio das redes sociais.
O Grupo RBS lamenta a perda desse grande colega e comunicador e homenageia seu legado para o jornalismo esportivo. A empresa se solidariza com os familiares e amigos, especialmente a esposa, Kathia, as filhas, Michelle e Karine, e os netos, João Vitor, Manoela e Eduarda.”







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