Morreu na noite da última quinta-feira (15), em Belo Horizonte, aos 100 anos, a soprano Maria Lúcia Godoy, uma das maiores cantoras líricas da história da música brasileira.
A informação é do blog do jornalista Mauro Ferreira, do G1. Nascida em 1924 em Mesquita (MG), a artista construiu uma carreira reconhecida internacionalmente, marcada por interpretações memoráveis de Heitor Villa-Lobos e pela rara capacidade de transitar entre o erudito e o popular.
Descrita pelo poeta Ferreira Gullar como “um pássaro voando” e por Carlos Drummond de Andrade como “ouro que não se destrói”, Maria Lúcia conquistou público e crítica com um timbre de soprano que encantou nomes como Juscelino Kubitschek e sua conterrânea e predecessora Bidu Sayão, que a considerava a maior intérprete da obra de Villa-Lobos.
O velório da artista ocorre nesta sexta-feira (16), a partir das 10h, no foyer do Palácio das Artes, em Belo Horizonte — palco de sua última apresentação em 2014 e símbolo de sua trajetória. O sepultamento está marcado para as 17h no Cemitério do Bonfim. A causa da morte não foi divulgada.
Maria Lúcia Godoy mudou-se ainda criança para a capital mineira, onde iniciou sua formação musical antes de seguir para o Rio de Janeiro e, depois, para a Europa, onde se especializou em canto lírico. O início da carreira se deu como solista do Madrigal Renascentista, grupo vocal fundado em 1956 com o qual percorreu diversos países.
Com uma discografia que inclui 20 álbuns, Maria Lúcia lançou seu último disco, Acalantos, em 2012. Dois anos depois, despediu-se dos palcos justamente no Palácio das Artes, em um concerto que simbolizou o encerramento de um ciclo centenário de dedicação à música.
Embora tenha se consagrado na música erudita, a artista não se restringiu a esse universo. Gravou O canto da Amazônia, em 1969, com repertório de compositores populares do Norte do país. Já em 1979, explorou a canção popular e napolitana, incluindo clássicos como Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant, e Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque.
Sua voz, comparada a uma ave em pleno voo, ecoa como parte do patrimônio musical brasileiro. Ao longo de um século de vida e de quase seis décadas de carreira ativa, Maria Lúcia Godoy projetou-se como símbolo da excelência artística brasileira no mundo — um “pássaro” que agora silencia, mas cuja música permanece viva.





