STF autoriza cirurgia de Bolsonaro no Natal; internação começa hoje

Ex-presidente passará por procedimento para tratar hérnia inguinal bilateral e crises de soluço, segundo laudo da PF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou a realização de uma cirurgia no ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período do Natal. Conforme a decisão, Bolsonaro será internado nesta quarta-feira (24) para iniciar os procedimentos pré-operatórios, e a cirurgia está prevista para a quinta-feira (25).

As informações foram divulgadas inicialmente por Gerson Camarotti, no g1. A autorização foi concedida na última quinta-feira (19) e se baseia em laudo médico produzido pela Polícia Federal, que avaliou o estado de saúde do ex-presidente.

Cirurgia considerada eletiva, mas necessária

Segundo a perícia do Instituto Nacional de Criminalística da PF, Bolsonaro foi diagnosticado com hérnia inguinal bilateral, condição que afeta os dois lados da região da virilha. O procedimento cirúrgico foi classificado como eletivo, ou seja, sem caráter de urgência imediata.

Ainda assim, os peritos recomendaram que a cirurgia seja realizada “o mais breve possível”, para evitar o agravamento do quadro clínico. O laudo aponta uma “piora progressiva” da hérnia, possivelmente relacionada ao aumento da pressão intra-abdominal causado por crises frequentes de soluço e tosse crônica.

Quadro clínico e explicação médica

A hérnia inguinal ocorre quando tecidos do interior do abdômen atravessam um ponto fragilizado da parede muscular abdominal, formando um abaulamento visível na região da virilha. Quando o problema se manifesta dos dois lados, recebe a denominação de hérnia inguinal bilateral.

Além da hérnia, a equipe médica também considerou relevante o histórico de crises persistentes de soluço apresentadas por Bolsonaro, fator que pode contribuir para o agravamento da condição ao longo do tempo.

Acompanhamento limitado durante internação

Na decisão, Alexandre de Moraes autorizou apenas a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como acompanhante durante o período de internação e a realização da cirurgia. A defesa havia solicitado que os filhos Flávio e Carlos Bolsonaro também fossem autorizados como acompanhantes secundários.

O pedido adicional foi negado pelo ministro. A decisão estabelece que não haverá ampliação do rol de visitantes ou acompanhantes durante o tratamento médico do ex-presidente.

Autorização ocorreu junto a negativa de prisão domiciliar

A autorização para a cirurgia foi concedida no mesmo despacho em que Moraes rejeitou o pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa de Bolsonaro. À época, os advogados ainda não haviam formalizado a solicitação para o agendamento do procedimento, o que ocorreu apenas nesta terça-feira (23).

No entendimento do ministro, a situação médica, embora exija acompanhamento e intervenção cirúrgica, não justifica a substituição do regime de cumprimento da pena.

Detenção desde novembro na Polícia Federal

Bolsonaro está detido na Superintendência da Polícia Federal desde 22 de novembro, após a violação das condições impostas pela Justiça para o uso da tornozeleira eletrônica. Segundo os autos, o ex-presidente confessou ter tentado abrir o equipamento com o uso de um ferro de solda.

Três dias depois, Moraes determinou que Bolsonaro iniciasse o cumprimento da pena superior a 27 anos de reclusão, em regime fechado, no mesmo local onde permanece custodiado.

Decisão destaca gravidade das condenações

Ao negar a prisão domiciliar, o ministro afirmou que Bolsonaro foi condenado por crimes graves contra o Estado Democrático de Direito. No despacho, Moraes ressaltou que o ex-presidente não se enquadra nas hipóteses legais que autorizariam o cumprimento da pena fora do sistema prisional.

“O custodiado Jair Messias Bolsonaro, portanto, não tem direito à prisão domiciliar, pois foi condenado à pena privativa de liberdade em regime fechado, pela prática de crimes gravíssimos contra o Estado Democrático de Direito”, escreveu o ministro, ao mencionar ainda a liderança de uma organização criminosa com atuação em altos escalões do poder público.

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