O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (8) prorrogar por mais 60 dias o inquérito que investiga a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. A decisão atende a um pedido feito na semana passada pela Polícia Federal, que alegou a existência de diligências ainda pendentes.
“Considerando a necessidade de prosseguimento das investigações, com a realização de diligências ainda pendentes, (…) prorrogo a presente investigação por mais 60 (sessenta) dias”, escreveu Moraes em despacho.
O inquérito foi aberto em maio deste ano a partir de uma solicitação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Eduardo Bolsonaro é investigado por suspeita de ter praticado os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação que envolva organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito — os mesmos termos jurídicos utilizados para enquadrar outros aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos processos ligados à tentativa de golpe de Estado.
Segundo as investigações preliminares, Eduardo, que está licenciado do mandato de deputado federal e atualmente reside nos Estados Unidos, teria articulado com membros do governo norte-americano para que fossem impostas sanções a autoridades brasileiras. A iniciativa seria parte de uma estratégia para enfraquecer as investigações no Brasil sobre a tentativa de subversão institucional que resultou em denúncias contra seu pai e diversos aliados políticos.
As suspeitas recaem sobre possíveis contatos de Eduardo com parlamentares e integrantes do governo dos EUA em busca de apoio político e institucional contra o avanço das ações penais no STF, especialmente aquelas conduzidas por Alexandre de Moraes. Ele é o relator dos principais inquéritos que investigam a organização de atos antidemocráticos e o planejamento da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
A prorrogação da investigação amplia a pressão sobre Eduardo Bolsonaro, que nos últimos meses tem intensificado sua presença em eventos conservadores nos Estados Unidos. A defesa do deputado ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão mais recente do STF.





