Míssil atinge shopping e Ucrânia acusa Rússia por pelo menos 10 mortos e mais de 40 feridos; Moscou não confirma

Um míssil atingiu um shopping na cidade de Kremenchuk, no centro da Ucrânia, nesta segunda-feira, deixando ao menos dez mortos e destruindo completamente o edifício. O presidente Volodymyr Zelensky acusa a Rússia pelo ataque e que disse que havia “mais de mil pessoas” no local no momento do impacto e que é “impossível imaginar” o número de…

Um míssil atingiu um shopping na cidade de Kremenchuk, no centro da Ucrânia, nesta segunda-feira, deixando ao menos dez mortos e destruindo completamente o edifício. O presidente Volodymyr Zelensky acusa a Rússia pelo ataque e que disse que havia “mais de mil pessoas” no local no momento do impacto e que é “impossível imaginar” o número de vítimas.

De acordo com Dmytro Lunin, governador da região de Poltava, onde fica Kremenchuk, há mais de 40 feridos após o ataque aéreo, ao menos nove deles gravemente. Imagens mostravam o centro comercial pegando fogo, com grandes colunas de fumaça e caminhões dos bombeiros.

As operações de resgate, afirmou no Telegram Kyrylo Tymochenko, chefe-adjunto do Gabinete presidencial do país, continuam no shopping, que ocupa um espaço aproximado de 10 mil metros quadrados. Segundo um repórter da agência Reuters, bombeiros e soldados reviram os escombros atrás de sobreviventes.

Em uma mensagem postada no Facebook, Zelensky disse que o prédio “não representava nenhum risco para o Exército russo. Nenhum valor estratégico. Apenas a tentativa do povo viver uma vida normal”:

“Os ocupantes dispararam um míssil contra um shopping onde havia mais de mil civis. O shopping está em chamas e as equipes de resgate combatem o fogo. O número de vítimas é impossível de imaginar”, postou o presidente, junto com um vídeo. “É inútil esperar decência e humanidade da Rússia.

Segundo Lunin, trata-se de um “crime de guerra” e um “crime contra a Humanidade”, bem como um “ato de terror (…) cínico contra a população civil”. Segundo ele, não há expectativa de que muitos sobreviventes sejam encontrados, já que houve “um grande incêndio com muita fumaça”.

Em um tuíte, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que o “mundo está horrorizado com o ataque de míssil” russo, “a mais recente em uma série de atrocidades”:

Vamos continuar a apoiar nossos parceiros ucranianos e responsabilizar a Rússia, incluindo os responsáveis pelas atrocidades”, afirmou o chefe da diplomacia de Washington.

O Kremlin ainda não fez comentários sobre o ataque, mas nega mirar civis em suas “operação militar especial” — nome pelo qual chama a operação militar que completou quatro meses na última sexta. Vadym Denysenko, conselheiro do Ministério do Interior, disse à Reuters que o Kremlin pode ter tido três motivos para o ataque:

— O primeiro, indubitavelmente, é disseminar pânico. O segundo é destruir infraestrutura — afirmou. — O terceiro é aumentar o que está em jogo para forçar o Ocidente civilizado a se sentar novamente à mesa para conversas.

Kremenchuk é uma importante cidade industrial no centro do país, na região de Poltava, às margens do rio Dnipro, onde há um grande porto fluvial. É também lar da maior refinaria de petróleo do país, a Ukrtatnafta. Antes da invasão russa começar, em 24 de fevereiro, tinha cerca de 217 mil habitantes.

Ocupada pelos nazistas por mais de dois anos durante a Segunda Guerra Mundial, teve mais de 90% de seus prédios destruídos. Durante a Guerra Fria, abrigou forças estratégicas do Exército e mísseis balísticos intercontinentais.

Assista ao vídeo:

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