A opinião de Miriam Leitão, no Globo, é taxativa:
“Lula foi o vencedor claro da primeira rodada porque fez Bolsonaro falar durante quase todo o tempo do bloco de pandemia, e ficou na defensiva. Não há resposta possível para uma fala como a do Lula.
– Mas vou perguntar de pandemia. O Brasil tem 3% da população mundial. E o Brasil teve 11% das mortes da pandemia no mundo. Por que houve tanta demora para se comprar vacina? O senhor não se sente responsável? O senhor não carrega nas costas um pouco do sofrimento dos brasileiros de ser responsável pelo menos por 400 mil mortes nesse país?
“Essa é uma pergunta sem resposta. Bolsonaro conseguiu piorar ainda a sua situação porque recentemente disse que a “molecada” não morre de Covid. Lula deu o número de duas mil mortes de crianças. Bolsonaro voltou a defender o “off label”. Lula traduziu: “você virou defensor de remédio que não serve para nada”. E acrescentou “eu sei o que é perder alguém para a Covid”. Nesse ponto Lula se coloca ao lado de cada brasileiro que perdeu alguém. Lula o acusa de nunca ter visitado um hospital. Bolsonaro alega que foi e ninguém viu. Bolsonaro voltou a mentir: disse que vacina é só para quem não teve Covid. Bolsonaro permanece o anti-ciência que nos levou a ter muito mais mortes do que no resto do mundo.
“Quando Bolsonaro puxou o tema da corrupção, ele cresceu, mas o fato é que a presença de Moro entre os seus assessores provava a grande tese da defesa do petista, de que ele foi julgado por um juiz parcial, cujo único objetivo era persegui-lo e ajudar Bolsonaro. Bolsonaro destruiu a lava-jato e interferiu na Polícia Federal. E olha onde estava o ex-juiz que acusou Bolsonaro de intervenção? Servil, ao lado do chefe intervencionista.”





