O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (18), em Paris, a ampliação de investimentos estrangeiros na exploração de minerais críticos no Brasil. Durante compromissos oficiais na capital francesa, o integrante da equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país precisa avançar na criação de um marco legal capaz de garantir segurança jurídica ao setor e estimular novos aportes internacionais.
A declaração ocorre em meio ao aumento da disputa global por minerais estratégicos utilizados em áreas como transição energética, inteligência artificial, fabricação de baterias e produção de tecnologias avançadas. O governo brasileiro tenta aproveitar o cenário internacional para atrair investimentos e ampliar sua participação nesse mercado.
“Se há capital francês, capital alemão, capital norte-americano, querendo fazer investimento nisso, que se faça no Brasil, gerando emprego no Brasil, dividindo tecnologia com as universidades brasileiras. Essa é a nossa diretriz. O incentivo ao investimento no país é fundamental e é fundamental a segurança jurídica. Por isso, [é importante] um novo marco que garanta procedimentos céleres, procedimentos seguros, evitando judicialização com grande pactuação com o setor”, declarou o ministro a jornalistas em Paris.
A fala de Durigan reforça a estratégia do governo federal de apresentar o Brasil como destino para investimentos ligados à chamada economia verde, especialmente em áreas relacionadas à mineração sustentável e à produção de energia limpa.
Disputa global por minerais estratégicos
Os chamados minerais críticos ganharam importância estratégica nos últimos anos por serem essenciais para cadeias produtivas de alta tecnologia. Elementos como lítio, níquel, cobre, grafite e terras raras são considerados fundamentais para a fabricação de carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, chips e equipamentos eletrônicos.
Com grandes reservas minerais e potencial de expansão produtiva, o Brasil tenta se posicionar como fornecedor relevante nesse mercado em meio ao crescimento da demanda global e à disputa geopolítica envolvendo Estados Unidos, China e países europeus.
Na avaliação do Ministério da Fazenda, o país precisa acelerar processos regulatórios e reduzir inseguranças jurídicas para atrair empresas internacionais interessadas em operar no território brasileiro.
Durigan também destacou a importância de que esses investimentos estejam associados à geração de empregos e à transferência de tecnologia para universidades e centros de pesquisa nacionais.
Agenda em Paris
O ministro participa de uma série de compromissos oficiais na França relacionados ao G7, grupo que reúne as sete maiores economias do mundo. Embora o Brasil não faça parte formalmente do bloco, o país participa como convidado em discussões internacionais.
Além das agendas ligadas ao G7, Durigan também participa de debates sobre inteligência artificial, transição energética e cooperação econômica internacional.
A programação desta segunda-feira incluiu uma mesa-redonda promovida pelo Le Grand Continent. Em seguida, o ministro participou de um almoço na redação do jornal Le Monde. À noite, a agenda prevê presença no jantar ministerial do G7.
A viagem internacional ocorre em um momento em que o governo brasileiro busca ampliar parcerias econômicas e reforçar o diálogo com países europeus em temas ligados à sustentabilidade e inovação tecnológica.
Mudança na viagem internacional
A passagem de Durigan pela França sofreu alterações em relação ao planejamento inicial da viagem oficial. O ministro deveria ter iniciado a agenda internacional ainda na terça-feira passada, com compromissos em Moscou, na Rússia.
A etapa russa da viagem, porém, acabou cancelada após o fechamento do aeroporto da cidade de destino.
O roteiro original previa uma semana de compromissos divididos entre Moscou e Paris. Na Rússia, Durigan participaria de reuniões do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics, atualmente presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff.
Segundo o Ministério da Fazenda, o ministro deve embarcar de volta ao Brasil nesta terça-feira. A previsão é de chegada ao país na manhã de quarta-feira, com retomada imediata das agendas econômicas em Brasília.






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