O cirurgião plástico José Ricardo Simões foi denunciado pelo Ministério Público do estado do Rio por importunação sexual contra uma paciente. Durante a consulta, ele disse que daria desconto à mulher dependendo da negociação. Ao vê-la despida, para avaliar a cirurgia, a chamou de gostosa, afirmou que gosta de se masturbar diante mulheres e indagou se ela não gostava de aventuras sexuais.
A denúncia da 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Área Zona Sul e Barra da Tijuca foi distribuída junto à 17ª Vara Criminal da Capital.
De acordo com reportagem de O GLOBO, a vítima procurou o cirurgião plástico por indicação de uma amiga e tinha a intenção de fazer procedimentos estéticos. Logo na primeira consulta, no dia 16 de agosto, ela relatou se sentir constrangida com a forma de abordagem do médico. O cirurgião disse que poderia dar um desconto à vítima, dependendo da “negociação”. “Olha só, a cirurgia pode sair com um grande desconto ou até mesmo de graça, dependendo da troca, né?”, descreveu trecho da denúncia.
A mulher contou que se sentiu constrangida. Entretanto, como desejava realizar o procedimento estético, e por ter ido acompanhada de uma amiga em comum, achou que o comportamento do cirurgião se deu em virtude da intimidade que tinha com a amiga da vítima.
Acreditando que o médico teria uma postura profissional, a vítima compareceu à segunda consulta. Desta vez, o médico intensificou as insinuações e a importunação sexual com questionamentos se a vítima era casada, se gostava de “aventura sexual” e fazendo outras alusões a sexo com a mesma, após mostrar um vídeo pornográfico.
Ao retornar para a consulta pré-operatória, no dia 30 de agosto, no consultório localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, a vítima teve que se exibir, apenas de salto alto, na frente do cirurgião. A denúncia descreve que, diante da cena, o médico ficou fazendo caras e bocas, enquanto proferia palavras de cunho sexual. Diante do ocorrido, a vítima desistiu de realizar o procedimento cirúrgico e registrou denúncia na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá.
Ao chegar em casa, ela contou para o marido o que houve, que a orientou a fazer a gravação e denunciar o caso à Delegacia da Mulher.
— Eu fiquei muito nervosa depois dessa segunda consulta. E depois da terceira ida ao consultório, quando fiz a gravação, eu passei muito mal, tive enxaqueca, chorei muito. Era para ser meu presente de aniversário. Às vezes, eu me sentia muito culpada por ter vivido essa situação. É muito louco esse sentimento — relata.
Em um áudio gravado pela vítima durante uma consulta, ele diz à paciente que gosta de se masturbar enquanto olha uma mulher.
Na consulta em que o áudio foi gravado, ao avaliar a paciente nua José Ricardo a pede para virar de costas e diz “Que bunda, hein?”. Na sequência, exclama a frase: “Você é gostosa”. Depois de perguntar nome e sobrenome dela, ele continua: “Eu vou te confessar: eu gosto mais de ver do que transar. Gosto demais de (usa uma expressão equivalente a se masturbar) olhando uma mulher do que transar”. O cirurgião fala outras coisas inaudíveis, até que afirma: “Aquele dia que você veio aqui, de sainha, achei um tesão”, se referindo à segunda consulta da paciente.
Ele segue no assunto falando que outras mulheres sentam em uma determinada cadeira do consultório para se masturbar, e questiona à paciente: “Você não gosta de fazer isso não? Não gosta de se mostrar?”. Cerca de dois minutos depois, ele também pergunta se ela “gosta de aventuras sexuais” e “aventuras fora do casamento”.
Essa foi a última de três consultas que a paciente teve com o médico. A gravação foi feita sob orientação do marido da vítima, após ela relatar o que ouviu de Simões nas duas primeiras visitas ao consultório. Ela o procurou para fazer cirurgias plásticas de correção das próteses de silicone nos seios, preenchimento vaginal e uma lipoaspiração nas costas. Após visitar dois cirurgiões, no Leblon e em Ipanema, cujos orçamentos ficaram acima do que pretendia gastar, ela recebeu a indicação de uma amiga para realizar os procedimentos com José Ricardo Simões, que praticava valores mais baixos em seu consultório na Barra da Tijuca.






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