Milícia no RJ: Polícia descobre quartel-general de Juninho Varão e apreende frota milionária

Base da milícia de Juninho Varão é descoberta em Nova Iguaçu. A operação da Polícia Civil apreendeu veículos de luxo usados em extorsões e identificou documentos que expõem a contabilidade da organização criminosa.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação nesta segunda-feira (14) que revelou detalhes do funcionamento da milícia comandada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão. Os agentes localizaram a base do grupo criminoso no bairro de Cabuçu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde foram apreendidos cinco carros de luxo utilizados nas ações da quadrilha.

A descoberta foi resultado de uma ação coordenada entre a Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE), a Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), com apoio do serviço aéreo da corporação. A base da milícia estava instalada em três imóveis usados para guardar armas, coletes balísticos e os veículos roubados, que serviam às rondas e às cobranças extorsivas impostas aos moradores da região.

Durante a operação, também foram encontrados documentos de contabilidade que detalham o funcionamento financeiro do grupo, apontado por movimentar cerca de R$ 10 milhões apenas em 2023. Apesar das apreensões, nenhum integrante da milícia foi preso.

Juninho Varão assumiu o controle da organização criminosa após a morte de Wellington da Silva Braga, o Ecko, em 2021. O racha interno entre grupos paramilitares após a morte de Delso Dias Lima, irmão de Danilo Tandera, abriu caminho para que Varão expandisse sua influência sobre os negócios ilegais em bairros de Nova Iguaçu e, mais recentemente, em Queimados. Ele também teria formado alianças estratégicas com milicianos de Seropédica.

A milícia impõe um regime de extorsão a moradores e comerciantes locais, cobrando taxas em troca de supostos serviços de “proteção” e controle territorial. As investigações agora se concentram na identificação e captura dos membros da organização, além do desmonte de sua estrutura financeira.

A operação representa mais um passo no combate ao crime organizado na Baixada Fluminense, região que há anos sofre com a atuação de grupos paramilitares que se aproveitam da ausência do Estado para impor seu poder pelo medo e pela força.

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