Abandono federal: UFRJ, melhor universidade do país, está caindo aos pedaços e pode parar

O último ranking nacional mostra que a UFRJ é a melhor universidade do Brasil. Mas o que devera ser motivo de orgulho para cariocas e fluminenses, e alunos, professores e funcionários, na verdade se transforma logo em razão para vergonha e constrangimento. Por causa dos cortes de verbas do governo federal, a UFRJ está se…

O último ranking nacional mostra que a UFRJ é a melhor universidade do Brasil. Mas o que devera ser motivo de orgulho para cariocas e fluminenses, e alunos, professores e funcionários, na verdade se transforma logo em razão para vergonha e constrangimento. Por causa dos cortes de verbas do governo federal, a UFRJ está se desmanchando e ameaçada de paralisar suas atividades. No há dinheiro sequer para recolher o lixo, como já denunciou a própria reitora.

Leia trecho da reportagem do Globo:

 Primeira universidade do país, e no topo dos rankings de instituições do gênero, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) completou 100 anos em 2020. A cada mordida no seu orçamento, no entanto, razões para comemorar dão lugar a preocupação. O corte mais recente, anunciado no último dia 3, foi de 7% da verba repassada pelo Ministério da Educação a universidades e institutos federais.

Reflexos dessa política de enxugamento são particularmente evidentes na Cidade Universitária. O bloqueio do repasse decidido pelo governo federal incide sobre o orçamento discricionário, destinado a setores como segurança, conta d’água, limpeza, manutenção e investimentos de expansão. 

No campus da Ilha do Fundão, a falta de dinheiro se traduz em obras inacabadas, ambientes em mau estado, mato alto e sensação de insegurança.

Esforços para a volta à normalidade esbarram na questão financeira. A reitora, Denise Pires de Carvalho, confirma a fase difícil e o risco de que o dinheiro disponível acabe em agosto, ou seja, bem antes do ano letivo. No próprio prédio da Reitoria, elevadores parados, salas interditadas e escadas bloqueadas ainda são lembranças de um incêndio no local, ocorrido em abril do ano passado.

— Com o orçamento aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano já tínhamos dificuldade grande de chegar até dezembro pagando todos os contratos. Após esse novo corte, teremos mais dificuldades ainda. São 55 mil alunos de graduação e cerca de 15 mil na pós-graduação, um número enorme de estudantes. E temos recursos de 10 anos atrás — conta Denise Pires.

Com o novo aperto no orçamento, mais de 70 contratos com empresas poderão ser revistos e, eventualmente, suspensos. São serviços de segurança, limpeza e manutenção que, hoje, já parecem deixar a desejar. Escondida pelo mato alto, a obra de um novo alojamento ao lado do Centro de Tecnologia (CT) permanece inacabada, sem previsão de conclusão ou retomada. O contrato teve início em 2011. Em meio aos escombros ainda se avista material de construção abandonado que seria usado na obra, na época avaliada por contrato em R$ 23 milhões.

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