Mensagens e telefonemas indicam que governador do DF foi incompetente ou leniente com os golpistas do dia 8

No dia 7 de janeiro, na véspera dos ataques de vândalos bolsonaristas às sedes dos três Poderes, em Brasília, o senador Rodrigo Pacheco mandou mensagem ao então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em que manifestava preocupação com notícias de uma possível invasão do Senado.  Em resposta, Ibaneis disse que não haveria problemas e que…

No dia 7 de janeiro, na véspera dos ataques de vândalos bolsonaristas às sedes dos três Poderes, em Brasília, o senador Rodrigo Pacheco mandou mensagem ao então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em que manifestava preocupação com notícias de uma possível invasão do Senado. 

Em resposta, Ibaneis disse que não haveria problemas e que tinha colocado todos os homens nas ruas. Essa troca de mensagens veio a público ontem (9) com a divulgação dos depoimentos dos policiais militares presos sob suspeita de terem apoiado ou sido coniventes com os invasores.

O celular do governador Ibaneis Rocha registra uma troca de mensagens com o presidente do Senado. Às 20h de sábado, dia 7, véspera dos ataques golpistas, Rodrigo Pacheco escreve a Ibaneis:

“Estimado governador, boa noite! Polícia do Senado está um tanto apreensiva pelas notícias de mobilização e invasão ao Congresso. Pode nos ajudar nisso? Abraço fraterno. Rodrigo”

Quatro minutos depois, Ibaneis responde:

“Já estamos mobilizados. Não teremos problemas. Coloquei todas as forças nas ruas.”

Reportagem do Jornal Nacional relata também que, ainda no sábado, o ministro da Justiça, Flávio Dino, entrou em contato mais de uma vez como o setor de segurança do governo do Distrito Federal alertando sobre os riscos das manifestações do dia oito.

Às 21h11, o ministro enviou a Ibaneis Rocha um ofício pedindo ajuda para bloquear a circulação dos ônibus de turismo nas imediações da Esplanada dos Ministérios.

À 0h28, Dino envia ao governador uma notícia do portal Metrópoles em que Ibaneis diz que a manifestação estaria liberada desde que pacífica.

O ministro escreve: “Governador, não entendi bem qual será a sua orientação para a Polícia do DF. Onde será o ponto de bloqueio e de que forma?”

A mensagem não teve resposta na madrugada. 

Horas antes dos atos golpistas, Ibaneis encaminha a Dino o informativo do delegado Fernando de Souza Oliveira, então secretário de Segurança em exercício, que ocupava o cargo de Anderson Torres, que estava nos Estados Unidos para iniciar férias.

A mensagem diz: “Público oriundo das caravanas em torno de 2.500 pessoas. Verificou-se chegada de mantimentos (alimentos, água, material de higiene) e instalação de diversas barracas de camping e lona.” E destaca: “Situação tranquila, no momento.”

Ibaneis também encaminha ao ministro a mensagem de áudio que recebeu de Fernando:

“Eu passei na Esplanada e na área central ali e está tudo muito tranquilo, tudo sossegado.”

Às 14h31, Ibaneis encaminha novo áudio do secretário Fernando com a mensagem:

“Informe do meio-dia Até agora nossa inteligência está monitorando e não há nenhum informe de questão de agressividade ligada a esse tipo de comportamento. Então esse é o último informe para o senhor. Tem aproximadamente 150 ônibus já no DF, mas todo mundo de forma ordeira e pacífica.”

Às 16h25, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Rosa Weber, entra em contato com o governador Ibaneis.

A ministra exclama: “Já entraram no Congresso!”

Ibaneis informa: “Coloquei todas as forças de segurança nas ruas.”

Rosa Weber diz que só manteve contato com Ibaneis porque o secretário de Segurança Pública estava de férias. O governador informa que estava cuidando do caso e encaminha o contato do secretário Fernando.

Em depoimento à Polícia Federal, o coronel Jorge Eduardo Naime Barreto, que chefiava o departamento responsável por elaborar o plano de segurança no DF, afirmou que acha que houve um “apagão total da inteligência”.

Desde terça-feira (7), ele está preso preventivamente, sem prazo para terminar. No dia dos ataques, o coronel estava de férias, mas foi visto na Esplanada dos Ministérios. Segundo ele, foi ao local para ajudar os PMs.

Ele afirmou também que, ainda em dezembro, “colocou todos os esforços à disposição do Exército para efetuar a retirada das pessoas do acampamento antes da posse, mas que o Exército suspendeu a operação, frustrando todos os planejamentos e tentativas”.

O acampamento em frente ao Quartel-General do Exército foi apontado pelo interventor na Segurança, Ricardo Cappelli, como uma incubadora de atos contra a democracia.

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