O que era para ser apenas mais um domingo de futebol terminou em tragédia para a família de Gustavo de Souza D’Oneill, de 13 anos. O adolescente foi atropelado por um motociclista embriagado no dia 29 de junho, em frente à sua casa, e, após uma cirurgia no Hospital Estadual Getúlio Vargas (HEGV), teve alta apenas dois dias depois. Uma semana depois, com o pé já necrosado, precisou ser submetido à amputação da perna direita. A família acusa o hospital de negligência médica.
Segundo o irmão do garoto, o estudante Alexandre Souza, de 20 anos, Gustavo atravessava a rua para buscar suas chuteiras e jogar futebol com amigos e familiares, como fazia rotineiramente aos domingos, quando foi atingido pela moto. Bombeiros prestaram os primeiros socorros e o levaram ao HEGV, na Zona Norte do Rio.
Na unidade hospitalar, ele foi diagnosticado com fraturas graves no fêmur e na tíbia, além de uma lesão extensa nas partes moles da coxa direita. A cirurgia de emergência foi realizada ainda na madrugada do dia 30 de junho, mas, conforme relato da família, o procedimento foi feito sem a presença de um cirurgião vascular, fator que pode ter sido determinante para o desfecho trágico.
“A cirurgia foi feita por um ortopedista. Depois disso, ele ficou com febre, mesmo assim deram alta para ele dois dias depois. Em casa, o pé começou a esfriar e os dedos ficaram roxos. Quando voltamos ao hospital, os médicos disseram que o pé já estava morto”, contou Alexandre.
A amputação acima do joelho foi realizada no dia 8 de julho. Dois dias depois, Gustavo teve alta novamente.
O irmão afirma ainda que a equipe médica já sabia do risco de amputação, mas optou por não informar à família. “A médica disse que não falou nada antes para não nos preocupar. Mas se havia risco, ele jamais poderia ter voltado para casa tão cedo. Isso foi uma irresponsabilidade”, lamenta Alexandre. A família agora avalia entrar com ação judicial contra o hospital.
Hospital diz que apura o caso
Em nota, a direção do Hospital Estadual Getúlio Vargas informou que está apurando internamente os procedimentos adotados no caso e se colocou à disposição da família para prestar os devidos esclarecimentos.
O hospital acrescentou que, durante o período de internação, o paciente foi submetido a exames clínicos e de imagem, além da cirurgia, e permaneceu sob constante observação médica.
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro também foi procurada pela reportagem portal G1, mas ainda não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido.
Acidente com motociclista embriagado
A família também aguarda responsabilização do motociclista envolvido no atropelamento. Segundo relatos, ele estaria embriagado no momento do acidente. Não há informações confirmadas sobre sua prisão ou se ele foi autuado pela Polícia Civil.
Enquanto isso, Gustavo tenta se recuperar fisicamente e emocionalmente da perda. A família, além de buscar justiça, organiza uma campanha para arrecadar recursos para o tratamento e aquisição de uma prótese.
“Meu irmão perdeu a perna por causa de uma sucessão de erros. Agora vamos lutar para que ele tenha o melhor cuidado possível e que outras famílias não passem pelo mesmo”, finalizou Alexandre.






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