MC Poze do Rodo, preso na quinta-feira (29/5), teve suas músicas removidas do Spotify sob a mesma acusação que motivou sua detenção: apologia ao crime e a facções criminosas, com ênfase no Comando Vermelho (CV). A equipe da plataforma, localizada nos Estados Unidos, confirmou à coluna de Paulo Cappelli, no portal Metrópoles, que as letras do rapper e de outros nomes do rap brasileiro passaram por uma rigorosa avaliação, que resultou na exclusão de músicas e playlists que enaltecem organizações criminosas.
Usuários da plataforma até então tinham acesso livre aos chamados “proibidões” — músicas que exaltam facções, criticam a polícia e narram histórias de traficantes e homicidas. Após o processo de análise, o Spotify retirou do catálogo obras como “Fala que a Tropa é CV”, uma das faixas de Poze do Rodo banidas da plataforma.
Em 2021, Poze do Rodo chegou a alcançar o primeiro lugar entre os artistas com mais hits no Top 50 do Spotify no Brasil, ficando atrás apenas de nomes do sertanejo. Contudo, o cenário mudou radicalmente com as ações recentes da plataforma.
Além da exclusão das músicas do rapper, playlists como “Relíquias do CV” também foram removidas. No entanto, outras continuam disponíveis após passar por um pente-fino, como “Comando Vermelho” e “Proibidão do CV”. A obra “É o 1533” — referência ao código numérico do Primeiro Comando da Capital (PCC) — também permanece no catálogo.
O sucesso e a controvérsia de Oruam
Outro nome do funk que gera polêmica é o cantor Oruam, que mantém no Spotify músicas que falam sobre o uso de armas e drogas. Ele é filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos líderes do CV atualmente preso com pena de 44 anos por homicídio qualificado e formação de quadrilha.
Em fevereiro, Oruam foi detido em sua residência junto a Yuri Pereira Gonçalves, conhecido como “Pará”, procurado por integrar o Comando Vermelho. Ele responde por crimes previstos no artigo 2º da Lei 12.850/13, que trata da “promoção, financiamento ou integração de organização criminosa”, na 1ª Vara Criminal Especializada de Combate ao Crime Organizado do Rio de Janeiro.
Prisão e investigação contra Poze do Rodo
Marlon Brandon Coelho Couto, o MC Poze do Rodo, foi preso após investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que apontou uma “relação sólida” entre o artista e a cúpula do Comando Vermelho.
Segundo a DRE, Poze do Rodo frequentava festas organizadas pelo CV em comunidades sob controle da facção, como o Complexo do Alemão e a Cidade de Deus. O rapper teria ainda shows contratados dentro dessas áreas, levantando suspeitas de que suas apresentações poderiam ter servido como fachada para lavagem de dinheiro proveniente do tráfico.
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